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Abdel Fattah al-Sisi declara dia da deposição de Mursi feriado nacional

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Adam Berry/Getty

Atual Presidente do Egito e antigo chefe das forças armadas do país celebrou com pompa e circunstância a deposição há três anos do primeiro Presidente democraticamente eleito em mais de 30 anos

O Presidente egípcio e ex-comandante do Exército, Abdel Fattah al-Sisi, anunciou na quinta-feira que o dia em que Mohamed Mursi foi deposto em 2013 passa a ser feriado nacional, dando ordens para uma parada militar no Cairo para celebrar a "Revolução de 30 de junho", como a batizou, e organizando vários outros eventos comemorativos no resto do país, antes do jejum do Ramadão.

Enquanto discursava à nação na televisão estatal, em declarações previamente gravadas que foram transmitidas durante a manhã, os seus apoiantes foram instados a reunir-se nas ruas do Cairo e de outras cidades, no caso da capital assistindo a um espetáculo aéreo envolvendo caças da Força Aérea.

"Neste dia glorioso, quero assegurar-vos que estamos a trabalhar no duro para concretizar as esperanças do povo egípcio do futuro melhor que eles merecem", disse Sisi. "A Revolução de 30 de junho reafirma a impossibilidade de impôr um statu quo ao povo egípcio. Quem quer que imagine que consegue fazer isso com sucesso estará a iludir-se", declarou, numa mensagem indireta aos apoiantes da Irmandade Muçulmana e do Presidente deposto fez ontem três anos.

Em 2012, Mohamed Mursi venceu as primeiras eleições presidenciais livres em mais de 30 anos no Egito, um ano depois da deposição de Hosni Mubarak durante a chamada Primavera Árabe. Candidato do Partido da Liberdade e da Justiça, tido como o braço político da Irmandade Muçulmana que esteve ilegalizada durante os 30 anos de ditadura de Mubarak, Mursi viria a ser deposto a 30 de junho de 2013, com o exército liderado por Sisi a dizer que estava a limitar-se a responder às exigências do povo nas ruas, depois de vários dias de manifestações contra o novo Presidente.

Dois anos depois, o general egípcio tornado candidato presidencial venceu as eleições com maioria absoluta, tendo lançado desde então uma campanha de perseguição e repressão dos apoiantes de Mursi e da Irmandade Muçulmana, que considera ser uma "organização terrorista" e que voltou a ilegalizar.

Nos últimos anos, milhares de membros da Irmandade já foram presos e condenados à morte ou a prisão perpétua, com muitos outros detidos ou julgados sem acusações formais. Sob o manto do combate ao terrorismo, o regime de Sisi tem também assinado inúmeras violações da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, detendo jornalistas egípcios e estrangeiros que escrevem sobre a Irmandade.