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Rajoy rejeita eventual adesão escocesa à UE. “Se o Reino Unido sai, a Escócia sai”

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SIM, MAS... Mariano Rajoy, o ainda chefe do Governo (de gestão), deverá ser convidado a formar Governo. Mas conseguir apoio parlamentar para ele é outra história...

ANDREA COMAS

Presidente do governo espanhol teme dar força aos movimentos separatistas da Catalunha e do País Basco e por isso não vai permitir que a Escócia venha a ser parte da União Europeia. Basta o veto de um único Estado-membro para que um país não possa integrar o bloco europeu

Jean-Claude Juncker defendeu esta quarta-feira que "a Escócia ganhou o direito a ser ouvida" pelas instituições europeias no rescaldo do referendo ao Brexit, após 62% dos habitantes do país terem votado a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia.

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia sublinhou, antes do encontro com a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, que a situação escocesa é diferente da da Catalunha, que luta há vários anos pela secessão com Espanha como forma de pressão ao governo central conservador de Mariano Rajoy — que está no poder desde 2011 e que, no domingo, voltou a vencer as eleições antecipadas mas sem maioria absoluta.

Para Rajoy, contudo, as situações são absolutamente semelhantes e, por essa razão, o líder de Espanha diz que vai opor-se a quaisquer tentativas da Escócia vir a aderir à UE como Estado-membro de plenos direitos, em rota de colisão com Inglaterra e o País de Gales, que juntos firmaram a saída do bloco regional no referendo de há uma semana.

À hora em que Sturgeon chegava a Bruxelas no segundo dia de uma cimeira de emergência dos líderes da UE para discutir o Brexit, Rajoy disse que "se o Reino Unido sai, a Escócia também sai".

O chefe do governo espanhol, que ocupa o cargo interinamente desde que perdeu a maioria absoluta nas eleições gerais de dezembro, teme que dar força a uma Escócia independente terá repercussões nas regiões autonómicas espanholas com aspirações separatistas, como é o caso da Catalunha e do País Basco.

Por essa razão, diz-se "extremamente contra" a ideia de a Escócia se tornar independente do Reino Unido, uma aspiração que foi chumbada em referendo por pouco mais de metade dos escoceses em 2014 mas que agora deverá ser reavivada pelo resultado da consulta popular ao Brexit.

"Quero ser muito claro. A Escócia não tem competências para negociar com a União Europeia. A Espanha opõe-se a qualquer negociação com qualquer outra entidade que não o Governo do Reino Unido", declarou Rajoy ontem. "Eu sou extremamente contra isso, os tratados [da UE] são extremamente contra isso e toda a gente é contra isso."

Rajoy e os tratados-base da união podem não aceitar essa possibilidade, mas há muita gente que é favor dela, sobretudo os escoceses. Depois de Sturgeon ter dito que é "altamente provável" que haja um novo referendo independentista na Escócia no rescaldo da consulta britânica de há uma semana, uma sondagem divulgada esta quinta-feira mostra que 47% da população do país quer uma nova consulta à secessão com o Reino Unido, contra 42% que querem continuar a integrá-lo sob pena de serem forçados a abandonar a UE.

Sturgeon encontrou-se ontem com Juncker ao final do dia, depois de uma reunião com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. Depois dos encontros, a primeira-ministra escocesa disse aos jornalistas que "o processo ainda está no início" e que é muito cedo para tentar prever o que vai acontecer.

"Apresentei o desejo da Escócia de proteger a nossa relação com a União Europeia, [mas] não subestimo os desafios que nos esperam enquanto tentamos encontrar um caminho." Ainda assim, a líder voltou a sublinhar que "a Escócia, ao contrário de outras partes do Reino Unido, não quer deixar a UE".