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Obama diz que Brexit “congela possibilidades de investimento na Europa”

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AUDE GUERRUCCI / POOL / EPA

“As taxas globais de crescimento económico já estavam fracas e isto não ajuda”, declarou o Presidente norte-americano sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

O Presidente norte-americano declarou na quarta-feira que o facto de uma maioria da população britânica ter votado a favor da saída da União Europeia no referendo de há uma semana eleva "preocupações a longo-prazo sobre o crescimento económico global".

O cenário batizado Brexit, que foi decidido por 52% da população do Reino Unido a 23 de junho, vai "congelar as possibilidades de investimento na Grã-Bretanha" mas também "na Europa como um todo", acrescentou Barack Obama durante uma cimeira com os líderes do Canadá e do México a decorrer em Ottawa.

Aos presentes, Obama sublinhou que a preparação dos bancos centrais e dos ministros das Finanças na véspera do referendo e já em reação ao seu resultado indica que "no curto prazo a economia global irá manter-se estável", mas que "há preocupações genuínas no longo prazo sobre o crescimento global caso o Brexit avance de facto e isso congela as possibilidades de investimento na Grã-Bretanha ou na Europa como um todo. Numa altura em que as taxas de crescimento globais já estavam fracas, isto não ajuda."

As declarações surgiram horas depois de os líderes da UE a 27 terem avisado que o Reino Unido tem de honrar o princípio da livre circulação de pessoas se quer continuar a integrar o mercado único. Foi a primeira vez em 40 anos que os chefes de Governo dos Estados-membros da UE se reuniram em Bruxelas sem o Reino Unido.

Também ontem, o líder norte-americano, que vai abandonar o cargo em janeiro por não poder recandidatar-se nas eleições presidenciais de 8 de novembro, disse que falou com a chanceler Angela Merkel ao telefone e que o interesse da chefe alemã não passa por retaliações, mas sim por garantir que a saída do Reino Unido funciona.

Na cimeira do Conselho Europeu ontem, Merkel foi uma dos vários líderes europeus a defender a movimentação livre de cidadãos da UE como uma parte essencial do mercado único. "O acesso ao mercado único europeu requer a aceitação das quatro liberdades", ou seja, a livre circulação de bens, de trabalhadores, de serviços e de capital, declararam os chefes de Governo dos 27 em comunicado depois da reunião.

Aos deputados britânicos em Londres, Cameron referiu ontem que a questão da liberdade de movimentos de pessoas deverá ser difícil de resolver. "Honestamente, já é uma questão difícil dentro da UE, onde existem todas as capacidades de negociação para tentar mudar as coisas, e penso que a partir de fora será muito mais difícil de várias formas."