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Novo Presidente das Filipinas promete mão dura

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Rodrigo Duterte assumiu esta quinta-feira a presidência das Filipinas

EPA

Rodrigo Duterte, que assumiu esta quinta-feira a presidência das Filipinas, quer restaurar a pena de morte no seu país. “O Castigador”, como é conhecido, já acendeu um rastilho de críticas

“Vou pedir ao Congresso o regresso das execuções por enforcamento”, disse Rodrigo Duterte, hoje empossado Presidente das Filipinas. É a declaração de princípio que resume o perfil de um homem eleito sob a promessa de esmagar o crime organizado e a corrupção no seu país, conhecido como “o castigador” durante os 22 anos em que foi alcaide de Davao – uma localidade de milhão e meio de habitantes situada na ilha de Mindanao, a sul do arquipélago, onde desde 1998 se calcula que 1.400 pessoas tenham sido assassinadas por esquadrões da morte.

Rodrigo Duterte, de 71 anos e o 16º Presidente das Filipinas, concedeu no discurso de tomada de posse que os seus métodos podem ser considerados “pouco ortodoxos e à beira da legalidade”. “Para quem resistir ou mostrar resistência violenta, a minha ordem à polícia será disparar para matar. Disparar para matar contra o crime organizado. Ouviram bem? Disparar para matar contra o crime organizado”, prosseguiu o advogado que ganhou as eleições para um mandato de seis anos com uma vitória esmagadora de 16 milhões de votos, sucedendo Benigno S. Aquino III, filho da antiga Presidente Corazón Aquino.

As primeiras declarações de Duterte – em especial a que defende a reintrodução da pena de morte, há uma década abolida no país - não foram poupadas a críticas. Sobretudo de altas figuras da igreja católica, como o arcebispo Ramón Cabrera Argüelles, que se declarou “contra a pena de morte e contra os esquadrões da morte”. Já José Manuel Diokno, decano em Direito da Universidade De La Salle, asseverou ao jornal espanhol “ABC”: “Se o Governo de Manila retomar a pena de morte está a violar a lei internacional”.

Porém, a retórica de Duterte tem apoiantes entre aqueles a quem prometeu aumentar a riqueza – e não são poucos, num país em que um quarto dos 100 milhões de habitantes está abaixo do limiar da pobreza. “Estamos felizes porque a anterior administração não nos deu atenção. E porque Duterte é pró-pobre”, comentou Sevilla Sayco, uma agricultora de 61 anos citada pela Reuters.