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Conheça os cinco candidatos ao lugar de David Cameron

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Dan Kitwood

Novo líder do Partido Conservador e provável primeiro-ministro sem eleições antecipadas “tem de assumir funções até 9 de setembro”, diz influente comissão parlamentar tory. Veja o perfil dos cinco candidatos

Com a vitória do Brexit no referendo de há uma semana, que firmou a saída do Reino Unido da União Europeia, David Cameron anunciou a sua demissão no prazo de três meses, delegando as negociações e decisões sobre o futuro do Reino no seu sucessor e inaugurando uma corrida que se antecipa renhida para definir quem será o próximo líder do Partido Conservador. Este deve ascender a primeiro-ministro automaticamente, sem depender de eleições, embora possa vir a convocá-las mais tarde.

Há dias, a influente comissão parlamentar 1922, composta por deputados tories (conservadores), definiu que o novo líder tem de ser escolhido até 2 de setembro e assumir funções até dia 9 desse mês, para acelerar o pedido formal de saída da UE e a ativação do artigo 50.º do Tratado de Lisboa. Esta disposição, nunca usada, define os mecanismos e o processo de saída de um Estado-membro.

A corrida à liderança conservadora começa oficialmente esta quinta-feira. O prazo para apresentar candidaturas acabou hoje ao meio-dia, tendo cinco deputados do Partido Conservador, quatro deles membros do Governo, anunciado a intenção de concorrer. Caberá aos 330 deputados do partido escolher os dois nomes a apresentar aos militantes, que escolherão o líder numa votação por correspondência. A grande surpresa desta fase inicial foi a desistência de Boris Johnson, que era visto como um forte candidato.

Para concorrer a líder, é preciso ser deputado e ter o apoio de dois outros parlamentares. Entram depois em ação a direção do partido e a comissão 1922, que têm o poder exclusivo de aprovar ou chumbar as candidaturas. Se tudo correr dentro dos conformes, o novo líder deverá estar escolhido antes da conferência de outono do Partido Conservador, a 2 de outubro, o prazo que Cameron definiu para abandonar o poder.

Estes são os principais candidatos ao lugar:

Dan Kitwood

Theresa May

Ministra do Interior desde 2010, já bateu recordes como um dos políticos que ocupou o cargo durante mais tempo. Sem ninguém o antever, tornou-se a favorita dos militantes do Partido Conservador no rescaldo do referendo ao Brexit, ultrapassando Boris Johnson – ainda que uma sondagem informal do "Independent" junto dos deputados conservadores na Câmara dos Comuns tenha apurado, no início da semana, que o ex-autarca de Londres conta com 100 apoios entre os colegas do partido, contra entre 70 e 80 para a ministra.

Apesar de ter defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia, May afirmou, ao declarar a sua candidatura, que "Brexit significa Brexit", pelo que rejeita "tentativas de ficar na UE, de voltar a aderir à UE pela porta das traseiras ou de realizar um segundo referendo". Também garantiu que, caso vença, não invocará o artigo 50 do Tratado de Lisboa sem que o país tenha uma "estratégia negocial" para sair da União.

A ministra prometeu uma "liderança forte e com provas dadas para nos guiar neste período de incerteza económica e política". Promete "unir o partido e o país", por "dever patriótico" e critica o Partido Trabalhista, consumido em guerras internas, e os nacionalismos escocês e galês. A sua é, promete, uma "visão corajosa e positiva para futuro", não para privilegiados mas para todos. À semelhança de Johnson, May não tenciona convocar eleições antecipadas se vencer a contenda partidária.

Jack Taylor

Michael Gove

O anúncio do ministro da Justiça, esta manhã, baralhou a corrida ao lugar que Cameron vai deixar vazio. Amigo de longa data do primeiro-ministro demissionário e seu grande aliado político há anos, Gove já surpreendera muitos ao anunciar, em fevereiro, que "desta vez" não ia ficar ao lado de Cameron na campanha pré-referendo, indo reforçar as fileiras pró-Brexit.

Desde que os resultados foram anunciados, o ministro sugeriu sempre que ia apoiar a candidatura de Johnson à liderança do Partido Conservador, mas as coisas mudaram de figura entre a noite de quarta-feira e esta manhã. Sarah Vine, mulher de Gove e colunista do tabloide "Daily Mail", escreveu um e-mail estratégico com avisos sobre Johnson, que enviou para o marido na terça-feira mas que, por engano, também foi parar a outros endereços não especificadas, levando a que alguém o reencaminhasse para a "Sky News" por causa do conteúdo incendiário.

Nele, Vine diz ao marido que "é muito importante focarmo-nos agora nos obstáculos individuais e ultrapassar completamente cada um antes de avançarmos para o seguinte. [...] Uma mensagem simples: TENS de obter garantias ESPECÍFICAS do Boris [Johnson] CASO CONTRÁRIO não podes garantir-lhe apoio. Os detalhes podem ser resolvidos mais tarde, mas sem isso não terás alavancagem. Crucialmente os militantes não terão as garantias necessárias para apoiar o Boris, nem Dacre/Murdoch [Paul Dacre, diretor do "Daily Mail" e Rupert Murdoch, CEO da empresa que detém este e outros jornais e televisões], que instintivamente não gostam do Boris mas que confiam na tua capacidade o suficiente para apoiarem uma candidatura Boris/Gove. Não cedas em nada. Sê o mais teimoso que conseguires. BOA SORTE."

Esta manhã, horas depois da divulgação deste e-mail, Gove tirou o tapete ao parceiro de campanha, o que terá sido decisivo para a desistência de Boris. "Os acontecimentos desde a quinta-feira passada têm pesado muito em mim. Respeito e admiro todos os candidatos à liderança. Em particular, queria ajudar a montar uma equipa liderada por Boris Johnson, para que um político que defende a saída da União Europeia pudesse conduzir-nos a um futuro melhor. Mas, relutantemente, cheguei à conclusão de que Boris não é capaz de garantir a liderança nem de construir a equipa para a tarefa que nos espera", declarou em comunicado. "Por esse motivo, decidi avançar com uma candidatura à liderança. Quero um debate o mais aberto e positivo possível sobre o caminho que o país vai agora seguir. Qualquer que seja o veredito desse debate, vou respeitá-lo. Nos próximos dias vou apresentar o meu plano para o Reino Unido que, espero, possa garantir unidade e mudança."

Chris J Ratcliffe

Stephen Crabb

Uma das estrelas em ascendência no Partido Conservador, o jovem ministro do Trabalho e das Pensões candidata-se apoiado pelo ministro da Economia, Sajid Javid. Tem, ainda 15 deputados consigo nesta corrida. E apresentou as suas ideias no diário "The Daily Telegraph".

Ao anunciar a sua candidatura, prometeu curar o partido do "mau sangue" no rescaldo do referendo ao Brexit. O antigo ministro para o País de Gales, nascido na Escócia, também falou na necessidade de voltar a unir o Reino Unido após a vitória da saída da UE, dizendo que os controlos de imigração são "a linha vermelha" das negociações com a comunidade europeia. Crabb apoiara a permanência no referendo de 23 de junho.

Depois de se tornar deputado em 2005, Crabb foi promovido a membro do Governo como representante do País de Gales em 2014, assumindo depois a pasta do Trabalho e das Pensões no rescaldo da demissão de Iain Duncan Smith, já este ano.

BEN STANSALL / Getty Images

Liam Fox

O ex-ministro da Defesa concorre à liderança conservadora pela segunda vez, depois de ter ficado em terceiro nas primárias de 2005 que viram David Cameron ascender ao cargo.

Criado na Escócia, formou-se em Medicina, que exerceu até se tornar deputado, em 1992. Ministro da Defesa no primeiro Governo de David Cameron, em 2010, o seu percurso governamental foi curto: viu-se forçado a demitir-se em 2011 na sequência de um escândalo de lóbis, no qual foi acusado de ter quebrado o código de ética ministerial por causa da relação próxima com o amigo e conselheiro Adam Werrity.

Foi um dos defensores da saída do Reino Unido da UE, apesar de ter tido menos destaque do que outros colegas do partido como Johnson ou Gove. Ontem escreveu um longo artigo no diário conservador "The Daily Telegraph" a explicar a sua visão para o país.

Matt Frost / ITV / REX / Shutterstock via Reuters

Andrea Leadsom

A secretária de Estado da Energia é formada em Ciência Política e tem carreira profissional na finança. Vereadora na região de Oxford entre 2003 e 2007, entrou para o Parlamento em 2010 e foi reeleita no ano passado. Foi secretária de Estado do Tesouro no primeiro Governo do primeiro-ministro demissionário David Cameron. Nesse papel, enfrentou com reconhecida firmeza o escândalo Libor, em que vários bancos manipularam taxas indicadoras do preço do dinheiro.

Também teve a sua dose de polémicas, como alegadas fugas a imposto sucessório e donativos de firmas domiciliadas em paraísos fiscais. Há muito defensora de uma nova relação entre o Reino Unido e a União Europeia, apoiou o Brexit no referendo e representou essa corrente num debate televisivo na BBC. Se não vencer, é vista como putativa ministra das Finanças no próximo Governo britânico.

Artigo atualizado às 12h50