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Theresa é a mais popular entre os eleitores conservadores, mas Boris tem vantagem entre os deputados

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Os favoritos à liderança do Partido Conservador britânico já estão a angariar apoios dentro de Westminster para acelerar substituição de David Cameron. É esperado que quinta-feira sejam formalizadas as candidaturas ao lugar do primeiro-ministro demissionário

PAUL ELLIS

É cada vez mais certo que a liderança do Partido Conservador e, por conseguinte, a chefia do Governo britânico vão ser disputadas por Boris Johnson e Theresa May. Apesar de ainda nenhum destes dois deputados tories ter formalizado a sua candidatura ao lugar de David Cameron, o diário "The Independent" avança que ambos passaram as últimas 48 horas numa corrida "frenética" em Westminster para angariarem apoios no rescaldo da saída do Reino Unido da União Europeia, firmada no referendo da passada quinta-feira.

Esta terça-feira, uma sondagem do instituto YouGov junto de militantes do partido no poder apontou que a ministra do Interior e apoiante da permanência na UE é a favorita de 31% dos eleitores, contra 24% que dizem apoiar o ex-autarca de Londres, homem que liderou a campanha a favor do Brexit. Contudo, e segundo um inquérito informal junto dos deputados conservadores na Câmara dos Comuns, levado a cabo pelo jornal, Johnson conta neste momento com 100 apoios entre os colegas do partido contra 70 a 80 para Theresa May.

O anúncio dos candidatos à liderança do partido deverá ser feito quinta-feira, antecipando-se que o lugar de Cameron vá ser disputado por Johnson, May e pelo atual ministro do Trabalho e das Pensões, Stephen Crabb, o único que já declarou a candidatura, nomeadamente através de um texto no diário conservador "The Daily Telegraph". Segundo vários media britânicos, é esperado que também Liam Fox, ex-ministro da Defesa e apoiante do Brexit, se candidate ao cargo, bem como Jeremy Hunt, o ministro da Saúde do Governo de Cameron.

A"The Independent", o antecessor de Hunt, Dan Poulter, explica que vai apoiar Johnson porque o partido deve reconhecer o resultado do referendo de quinta-feira na escolha do seu novo líder. "Eu estava do outro lado do debate pré-referendo [a favor da UE] mas penso que é importante que reconheçamos, como partido, que o país escolheu sair da UE, que reconheçamos isso na escolha do nosso líder. Mais do que isso, tenho ficado impressionado pela forma como Boris tem sido capaz de atrair gente para lá dos militantes conservadores e dos nossos apoiantes tradicionais."

A escolha do próximo líder do Partido Conservador e eventual futuro primeiro-ministro vai acontecer em duas fases, com os deputados conservadores a reduzir para dois o número de candidatos ao lugar de Cameron e com os militantes do partido a votarem depois qual dos dois querem ver ao leme do partido. Segundo o mesmo jornal, citando fontes próximas do ex-autarca de Londres, Johnson não pretende convocar eleições antecipadas se for ele o vencedor. No Reino Unido é normal esta substituição de primeiro-ministro sem eleições, desde que apoiado por uma maioria parlamentar, de que o Partido Conservador dispõe. Apesar de o primeiro-ministro demissioário ter declarado que só pretende abandonar o poder dentro de três meses, os conservadores querem ver Cameron substituído até 2 de setembro.

Neste momento, e perante o terramoto que o Brexit provocou dentro do Partido Trabalhista, também o principal partido da oposição poderá ter um novo líder no outono. É que Jeremy Corbyn é cada vez mais contestado internamente. Nos últimos dias, não só dois terços dos membros do seu Governo-sombra se demitiram como uma moção de censura (não vinculativa) foi aprovada, no grupo parlamentar, por 172 votos contra 40. Corbyn afirmou que não se demitirá, mas a sua autoridade é cada vez menor.