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Rajoy disposto a oferecer reforma constitucional ao PSOE para garantir investidura

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CESAR MANSO

Líder dos conservadores espanhóis vai dar início a consultas com todos os partidos políticos amanhã para avançar com Governo minoritário, após ter vencido as eleições antecipadas de domingo sem maioria absoluta

Mariano Rajoy vai começar a consulta com todas as forças políticas com assento parlamentar na quinta-feira, para acelerar as negociações de formação de Governo após o seu Partido Popular (PP, conservadores) ter vencido as eleições gerais antecipadas de domingo sem garantir uma maioria absoluta para governar.

De acordo com o "El Mundo", a equipa de Rajoy está a estudar alternativas para que o chefe do Governo central espanhol consiga permanecer no cargo que ocupou interinamente desde dezembro, quando as eleições gerais lhe deram uma primeira vitória sem maioria. Entre as hipóteses em cima da mesa conta-se a de convencer os socialistas a investi-lo aceitando implementar a reforma constitucional que o PSOE de Pedro Sánchez exige há vários anos.

Segundo fontes do PP na Moncloa, Rajoy vai fazer uma primeira proposta ao líder dos socialistas para que aceite integrar uma coligação de Governo que não passa por atribuir cargos ministeriais a qualquer membro do atual partido da oposição. Caso Sánchez recuse essa hipótese, como é provável que faça, o líder do PP irá sugerir a aplicação da reforma constitucional, a aprovação de um novo sistema de financiamento autonómico, a revisão da reforma laboral e a renovação do sistema de pensões para convencer o PSOE a votar a favor da sua investidura ou, no mínimo, a abster-se.

A segunda opção para a formação de um Governo minoritário conservador, menos provável, passa por firmar um pacto com o Cidadãos, que ficou em quarto lugar nas eleições, com o PNV e com a Coligação Canária, ainda que também esta alternativa dependa da abstenção do PSOE na votação de investidura a Rajoy.

Depois de Pedro Sánchez não ter conseguido avançar com um Governo socialista no rescaldo das eleições de 20 de dezembro, perante a recusa do Podemos de Pablo Iglesias em apoiá-lo, os espanhóis voltaram às urnas no passado domingo para um novo plebiscito, no qual o PP voltou a vencer sem maioria absoluta.

Apesar disto, os conservadores conseguiram aumentar de 123 para 137 o número de deputados eleitos, seguidos do PSOE, que alcançou 85 assentos parlamentares (menos cinco que em dezembro), da coligação Unidos Podemos, formada pelo movimento de esquerda de Iglesias e pela Esquerda Unida, que alcançou 71 assentos, e do movimento centrista Cidadãos, que voltou a ficar em quarto lugar mas com apenas 32 deputados, menos oito do que nas últimas eleições.

Segundo o "El País" citando fontes do PP, Rajoy está convencido de que conseguirá formar Governo graças à abstenção dos socialistas, estando disposto a atrasar a sua investidura para garantir que recebe esse apoio.