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Nicola Sturgeon em Bruxelas para discutir futuro da Escócia com Juncker

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Jeff J Mitchell/Getty Images

Reunião da líder escocesa com o presidente da Comissão Europeia, esta quarta-feira, acontece um dia depois de o chefe do Conselho Europeu, Donald Tusk, ter dito que um encontro com Sturgeon “não seria apropriado” na atual "situação no Reino Unido. A Escócia, que votou maioritariamente a favor da UE no referendo da semana passada, quer seguir caminho diferente de Inglaterra e Gales

A primeira-ministra da Escócia não se deixou abalar pelo balde de água fria de Donald Tusk e vai encontrar-se em Bruxelas com Jean-Claude Juncker, esta quarta-feira, para discutir o futuro do seu país dentro da União Europeia. No referendo da passada quinta-feira, 62% dos eleitores escoceses votaram a favor da permanência do Reino Unido na União Europeia, ao contrário do que fez a maioria dos britânicos, sobretudo habitantes de Inglaterra e do País de Gales, favoráveis ao Brexit.

Sturgeon considera que não seria democrático os escoceses serem arrastados para fora da UE contra a sua vontade. Estuda todas as opções para evitar tal desfecho, inclusive repetir o referendo à independência da Escócia.

Na terça-feira, o líder do Conselho Europeu sublinhou que neste momento não é altura de discutir a eventual adesão individual da Escócia à UE perante a saída do Reino Unido, destacando que "não seria apropriado" encontrar-se com Sturgeon para debater a questão, dada a "situação no Reino Unido".

Esta quarta-feira à tarde, Sturgeon vai encontrar-se com o presidente da Comissão Europeia no que fonte do Executivo europeu diz ser uma "discussão de política regional". A líder escocesa irá ainda reunir-se com o líder do Parlamento Europeu, Martin Schulz, para tentar angariar apoios entre as instituções do bloco regional.

No rescaldo do referendo da quinta-feira passada, Sturgeon tinha declarado que é "altamente provável" que seja convocado um segundo referendo à independência da Escócia. A primeira consulta realizou-se em 2014, tendo vencido, por curta margem, a opção de manter o Reino Unido como o conhecemos. A primeira-ministra afirma, agora, que o Reino Unido a que os seus conterrâneos escolheram pertencer, membro da UE, "já não existe".

Só Escócia independente pode ficar na UE

Segundo a mesma fonte europeia citada pelo "Wall Street Journal", para que a Escócia passe a integrar a UE é preciso que "seja um Estado independente geograficamente situado na Europa". As negociações de adesão terão de ser apoiadas pelos 27 Estados-membros da UE (os atuais 28 menos o Reino Unido, que teoricamente terá saído). Entre estes inclui-se Espanha, que teme as consequências internas na Catalunha e no País Basco de um eventual apoio à independência da Escócia.

Questionado pelos jornalistas sobre o encontro desta quarta-feira com a líder escocesa, Schulz disse que quer "esperar pelo que a senhora Sturgeon tem a dizer". Sobre a eventual adesão da Escócia ao bloco europeu, o chefe do Parlamento disse que esse é um "debate interno" do Reino Unido.

Até agora, apenas a Áustria já deu a entender que apoiaria o processo de adesão da Escócia. "Toda a gente que pode contribuir [para a integração europeia] é bem-vinda e a Escócia pode definitivamente fazê-lo", declarou na terça-feira o chanceler austríaco, Christian Kern.