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Internacional

Casamento gay domina campanha na véspera das legislativas na Austrália

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O atual primeiro-ministro australiano, o conservador Malcolm Turnbull, é candidato à reeleição

Ryan Pierse

Atual primeiro-ministro, do Partido Liberal, e o candidato da oposição prometem levar casamento entre pessoas do mesmo sexo a referendo caso vençam as eleições de sábado. Contudo, é incerto se os conservadores no poder vão implementar o resultado da consulta não-vinculativa caso uma maioria da população vote a favor

A reta final da campanha para as eleições gerais australianas, que se disputam no próximo sábado, está a ser marcada pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo, com o atual primeiro-ministro e candidato à reeleição, Malcolm Turnbull, do Partido Liberal, a dizer-se disponível para levar a questão a referendo caso seja eleito e com o seu principal rival, o trabalhista Bill Shorten, a ser assombrado por contradições sobre o tema.

Neste momento, as sondagens indicam que será Turnbull a vencer as legislativas, apesar das dúvidas sobre se os membros do seu partido irão respeitar o resultado da eventual consulta não-vinculativa caso uma maioria qualificada dos australianos vote a favor dos direitos gay.

Na semana passada, Shorten tinha defendido que o assunto deve ser decidido pelos deputados e não pelos eleitores, acusando o atual Governo de promover uma "plataforma de homofobia" ao defender uma consulta pública sobre as uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Dias depois dessas declarações, foi divulgado um vídeo de 2013 em que o líder do Partido Trabalhista surge a defender que o casamento gay deve ser debatido e decidido pela população, dizendo-se "completamente relaxado" com essa possibilidade.

Questionado sobre esse discurso num fórum cristão, em entrevista à Australian Broadcasting Corp., o candidato minorizou as suas declarações do passado, dizendo que "as atitudes comunitárias se alteraram na Austrália" nos últimos anos. "Se olharmos para a experiência na Irlanda há mais de um ano, alguns dos argumentos que emergiram eram muito feios e repugnantes", sublinhou, em defesa do seu argumento prévio de que convocar uma consulta iria traduzir-se numa campanha de homofobia e ódio que pode e deve ser evitada através de uma votação parlamentar.

Turnbull, que assume uma postura progressista numa série de questões sociais e que diz apoiar a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, garante que uma consulta ao estilo da irlandesa terá lugar até ao final do ano se os australianos o reconduzirem na chefia do Governo. Contudo, é incerto se os membros do seu partido irão apoiá-lo e aprovar as uniões gay no Parlamento caso seja essa a vontade demonstrada pela população nas urnas.

Numa entrevista recente, o seu ministro do Tesouro, Scott Morrison, um cristão evangélico, recusou-se por seis vezes a assumir qual seria o seu voto nesse cenário. "A minha opinião é que, se o plebiscito for levado a cabo a nível nacional, então a legislação deve passar", disse à televisão australiana. "Se o plebiscito não acontece, então penso que o assunto está decidido." A atual ministra dos Negócios Estrangeiros, Julie Bishop, também se recusou a manifestar-se concretamente sobre um assunto que é "hipotético".