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Passos ao lado de Merkel: “UE não tem de fazer nada para apressar o Brexit”

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Marcos Borga

Líder do PSD afirma esperar que a União Europeia “não amue” e minimize os efeitos negativos da saída do Reino Unido do bloco

Passos Coelho considera que a União Europeia não deve acelerar o processo de saída do Reino Unido do bloco, colocando-se em linha com a posição idêntica já defendida pela chanceler alemã Angela Merkel.

“Eu acho que a União Europeia não tem que fazer nada para apressar esse processo. A União Europeia tem que respeitar a decisão do referendo britânico que é de abandonar a UE, isso vai exigir uma notificação a realizar pelo próximo governo britânico”, declarou o líder do PSD aos jornalistas, esta terça-feira, em Bruxelas.

Na visão de Passos, cabe à UE respeitar a decisão do primeiro-ministro britânico de passar a pasta das negociações ao próximo Executivo, devendo mostrar uma atitude “aberta, positiva e construtiva” durante o processo. “É do nosso interesse – creio eu de todos os europeus –, que o Reino Unido possa manter-se tão próximo do nosso mercado interno quanto possível, da nossa relação positiva e diplomática que tem com os restantes parceiros da UE”, acrescentou.

Para o líder do PSD, seria errado mostrar uma espécie de “cartão amarelo” ao Reino Unido, de forma a evitar que outros países realizem também referendos sobre a permanência na UE. “Castigar os britânicos, assim como uma espécie de vacina para que outros europeus não sigam o mesmo caminho, é o caminho mais direto para que isso possa acontecer”, sustentou.

Passos Coelho realçou ainda que é fundamental minimizar os efeitos negativos da saída do Reino Unido da UE, o que na sua opinião passa por recusar um “divórcio litigioso”. “Se tivermos uma separação amigável, então podemos continuar a comungar dos mesmos valores, dos mesmos princípios, mantendo uma proximidade política grande, o que reforça quer a importância do Reino Unido, quer a colaboração coma UE e continuaremos a ter uma espaço de livre comércio com uma grande proximidade financeira.”

E insiste que a principal dúvida, neste momento, reside em perceber se “vamos todos amuar” ou “procurar incutir confiança” nos mercados e nos cidadãos. “Todos temos interesse nesta última opção e não na primeira”, concluiu.

Esta terça-feira, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução conjunta de três grupos políticos que solicita a aplicação imediata do mecanismo do Brexit.