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Diplomatas americanos dizem-se alvo de campanha de intimidação russa

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Duas águias bicéfalas do Jardim Alexandrovsky, em Moscovo, ladeiam uma das torres do Kremlin, em segundo plano

ALEXANDER NEMENOV / AFP / GETTY IMAGES

As intimidações passam por atos bizarros como a entrada nas suas residências durante a noite e a mudança da posição dos móveis. Um diplomata disse que um intruso defecou num tapete da sua sala de estar

Os diplomatas americanos colocados na Europa, em especial na Rússia, estão a ser alvo de uma campanha de intimidação levada a cabo por agentes dos serviços secretos russos, segundo referiram fontes do Departamento de Estado norte-americano ao “The Washington Post”.

A campanha de intimidação começou após os Estados Unidos terem imposto sanções a diversos responsáveis russos, em sequência da crise política na Ucrânia há dois anos, e já levou a que o problema tenha sido diretamente referido ao Presidente Vladimir Putin.

Os atos denunciados vão desde situações bizarras até outras mais assustadoras. Para além de atos mais habituais como os diplomatas e membros das suas famílias serem seguidos e terem agentes secretos a comparecerem nos seus eventos sociais, há também denúncias de entradas nas suas residências durante a noite por intrusos que mudam a posição dos móveis e deixam todas as luzes e televisões ligadas quando saem. Um diplomata indicou que um intruso defecou num tapete da sua sala de estar.

As ações de intimidação são mais fortes em Moscovo. Os diplomatas aí colocados falam em pneus furados e de serem alvos constantes da polícia de trânsito. O ex-embaixador Michael McFaul ficou ferido devido aos ataques de manifestantes, que os Estados Unidos dizem terem sido pagos pelo regime russo. E disse que agentes dos serviços secretos russos seguiam os seus filhos até à escola.

Apesar de se terem acentuado desde 2014, atos intimidatórios já teriam lugar anteriormente. Durante o primeiro mandato do Presidente Obama, um assessor norte-americano para a área da Defesa colocado em Moscovo teve o seu cão morto, segundo referiam ao “The Washington Post” diversos responsáveis norte-americanos com acesso aos relatórios sobre o assunto.

“Desde o regresso de Putin, a Rússia envolveu-se numa agressiva e crescente guerra cinzenta através da Europa. Agora é uma retaliação pelas sanções ocidentais por causa da Ucrânia. Estes assédios amplamente reportados são outra frente dessa guerra cinzenta. (…) Eles estão a atingir os diplomatas americanos literalmente nos locais onde vivem”, disse Norm Eisen, embaixador americano na República Checa entre 2011 e 2014, em declarações ao jornal norte-americano.

A Rússia optou por não fazer qualquer comentário sobre estas denúncias, limitando-se a enviar uma declaração afirmando que os diplomatas russos têm sido alvo de provocações por parte dos Estados Unidos.