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Cameron enfrenta líderes da UE pela primeira vez desde voto a favor do Brexit

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Dan Kitwood

Primeiro-ministro demissionário do Reino Unido vai a Bruxelas encontrar-se com os chefes da Comissão e do Conselho Europeu para discutir resultado do referendo. E na quarta-feira não participará no pequeno-almoço de trabalho dos líderes dos 27

David Cameron estará esta terça-feira em Bruxelas para a cimeira da União Europeia, durante a qual vai encontrar-se com os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do Conselho Europeu, Donald Tusk, pela primeira vez desde que 52% dos britânicos votaram pela saída do Reino Unido do bloco.

O primeiro-ministro demissionário vai discutir as implicações do resultado da consulta popular da passada quinta-feira e o caminho que aguarda o país para que a saída seja firmada, um dia depois de ter afastado a possibilidade de um novo referendo ao Brexit.

De acordo com a BBC, Cameron vai ter um jantar de trabalho esta terça-feira à noite com os líderes da UE a seguir às reuniões com Tusk e Juncker, mas na manhã de quarta-feira não participará no pequeno-almoço de trabalho do bloco a 27.

Depois de os resultados terem sido anunciados na sexta-feira de manhã, dando a vitória ao Brexit e lançando o país numa incógnita pelo carácter inédito da saída de um Estado-membro da UE, Cameron anunciou que vai abandonar o poder dentro de três meses, a fim de dar tempo a que uma nova liderança se instale e seja ela a ativar o artigo 50.º do Tratado de Lisboa.

Também esta terça-feira, o ainda chanceler do Tesouro britânico assina um artigo de opinião no "Times" onde confirma que não será candidato à liderança do Partido Conservador nem a primeiro-ministro. Um dia depois de ter garantido que o Reino Unido "segue forte" apesar da contínua queda do preço da libra, George Osborne escreve no diário que lutou duramente para que o país ficasse na UE e que apesar de aceitar o resultado do referendo não é "a pessoa que pode garantir a unidade que o partido precisa neste momento".

Jeremy Hunt, ministro da Saúde do atual Governo e que é um dos favoritos à sucessão de Cameron, quer que o Reino Unido fique no mercado único comum, tendo esta segunda-.feira sugerido um acordo semelhante ao da Noruega, em que o país gozaria dos atuais benefícios nas trocas comerciais enquanto negoceia novas regras de imigração mais limitadas. De acordo com o "Times", neste momento é Theresa May, a ainda ministra do Interior, quem parece reunir mais apoios entre os conservadores para substituir Cameron.

Também esta terça-feira, os deputados do Partido Trabalhista, o principal da oposição, deverão aprovar um voto de não-confiança ao seu líder Jeremy Corbyn, um dia depois de este se ter recusado a abandonar o cargo apesar das 46 demissões que já aconteceram dentro do movimento político e do seu gabinete-sombra em protesto contra a sua liderança e o falhanço em impedir a vitória do Brexit.