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Brasileiro sem feijão é como português sem bacalhau

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CHRISTOPHE SIMON / AFP / Getty Images

Os preços do feijão e do arroz estão a subir no mercado brasileiro. Transformado em produto gourmet, começa a faltar na mesa de quem mais precisa

Já não há água que baste para engrossar o caldo da feijoada dos brasileiros. O clima não ajudou, a produção está a revelar-se insuficiente para a procura e, como consequência, os preços sobem para patamares desconfortáveis. Num ano em que parece que tudo o que podia correr mal ao Brasil, realmente acontece, o feijão, alimento fundamental da ementa de grande parte da população, vem juntar-se aos inúmeros problemas do Governo de Michel Temer.

“O preço do principal produto na mesa dos brasileiros subiu devido às condições climáticas, que determinaram a perda de praticamente toda a colheita na região centro-oeste e, como consequência, registou-se uma queda na oferta e um aumento da procura, fazendo com que os preços subissem”, explicou o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, num comunicado emitido na passada sexta-feira.

Uma família brasileira consome, em média, três quilos de feijão por mês, segundo a empresa de sondagens GFK, que avança ainda que o preço do feijão aumentou 28%, desde o início do ano e até ao fim de maio. Já segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cotação do feijão aumentou 33,49% entre janeiro e maio e 41,62% em 12 meses.

Para equilibrar a situação e tentar provocar a diminuição dos preços do feijão junto do consumidor final, o Presidente brasileiro em exercício, Michel Temer, autorizou a importação do produto. As compras poderão ser feitas à Argentina, Paraguai e Bolívia, países vizinhos do Brasil e parceiros do bloco comercial do Mercosul. Em aberto está ainda a possibilidade de comprar feijão do México, mas, neste caso, é preciso, antes, formalizar um acordo prévio sobre as condições de produção.

Os especialistas, contudo, alertam que esta medida poderá ser ineficaz porque o Brasil já é importador de feijão, sobretudo da Argentina e da China. O problema é que o tipo de feijão mais consumido pelos brasileiros (75%), conhecido como carioquinha, não é produzido em outros países. a única solução passaria, por isso, por provocar uma mudança nos hábitos dos consumidores. “Não há muito o que fazer neste momento, simplesmente porque não existe feijão. Não há stocks”, afirma o presidente do Instituto Brasileiro do Feijão, Marcelo Luders.

O responsável afirma que cerca de metade dos supermercados brasileiros já não tem feijão para vender e que, pela primeira vez na história do país falta um produto básico da alimentação da população. A expectativa é que só daqui a 90 dias a situação esteja regularizada. Mas, antes que fosse tomada a decisão, o assunto do preço do feijão foi o um dos mais comentados na rede Twitter. Michel Temer chegou mesmo a criar a hashtag #TemerBaixaOPreçoDoFeijão. Até porque, sete em cada dez brasileiros comem feijão diariamente, segundo o IBGE.