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“O que em tempos foi impensável tornou-se irreversível”

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Sean Gallup

François Hollande e Angela Merkel dizem estar “totalmente de acordo” sobre como agir face ao Brexit e vão encontrar-se em Berlim para discutir opções. Boris Johnson, que liderou a campanha Leave e que é tido como provável sucessor de David Cameron, diz que Reino Unido vai continuar a “intensificar” cooperação com a União Europeia

A chanceler alemã e o Presidente francês dizem estar em "total acordo" sobre como lidar com a decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, tendo marcado para esta segunda-feira um encontro em Berlim que vai contar ainda com o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, e com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

No domingo, François Hollande avisou que os 27 Estados-membros "separados correm o risco de divisões, discórdias e disputas" e sublinhou que não há volta atrás na decisão de 52% dos britânicos que votaram a favor do Brexit no referendo da passada quinta-feira.

"O que em tempos foi impensável tornou-se irreversível", declarou o Presidente francês sobre a saída britânica, em linha com as recentes declarações de oficiais da UE e do líder da Comissão Europeia, que por duas vezes deixou claro na sexta-feira que quer que a saída seja rápida.

"A Grã-Bretanha não precisa de enviar uma carta formal à UE para ativar a contagem de dois anos para a sua saída do bloco", disseram ontem fontes comunitárias à Reuters, deixando implícito que o primeiro-ministro demissionário, David Cameron, pode dar início ao processo de saída já esta terça-feira, quando discursar na cimeira da UE.

"A ativação pode ser através de uma carta ao presidente do Conselho Europeu ou de um comunicado oficial num encontro do Conselho Europeu que fique devidamente anotado nos registos do encontro", disse um porta-voz do Conselho à Reuters.

Para hoje, é esperado um encontro de David Cameron com os seus ministros e uma sessão dos deputados britânicos após as quais novas decisões deverão ser anunciadas. Na sexta-feira, Cameron demitiu-se do cargo de primeiro-ministro por ter falhado o resultado a favor da UE que antecipava, prometendo ficar no poder durante os próximos três meses para garantir uma transição minimamente pacífica dentro do Partido Conservador, que terá agora a tarefa de escolher o seu sucessor.

Boris Johnson, líder da campanha Leave que é tido como o mais provável substituto do ainda primeiro-ministro na liderança tory, garantiu no domingo que o Reino Unido vai continuar a "intensificar" a cooperação com Bruxelas e com os restantes Estados-membros, em mais um sinal de que não tem pressa para avançar com o Brexit que tanto prometeu aos eleitores.

De acordo com uma notícia exclusiva do jornal alemão de finanças "Handelsblatt", a chancelaria de Angela Merkel está empenhada em avançar rapidamente com um tratado de associação livre com o Reino Unido para que não haja quebras nas trocas comerciais bilaterais apesar da saída da UE.

Com nova queda da libra esterlina registada esta segunda-feira de madrugada ao início das trocas no mercado asiático, depois de enormes quedas na sexta-feira por causa do resultado da consulta popular, o ainda chanceler britânico, George Osborne, prometeu esta manhã que vai "fazer tudo o que está ao seu alcance para que o Brexit resulte a favor" do país, enquanto pondera medidas para estabilizar a economia.

Também hoje, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, vai a Londres e a Bruxelas para manter conversações com homólogos sobre como avançar perante o cenário de Brexit concretizado nas urnas. No domingo, Kerry lamentou a partir de Roma que uma maoiria dos britânicos tenha decidido abandonar o bloco regional a 28 mas garantiu que os EUA vai manter relações próximas com a UE.

"O Brexit e as alterações que estão agora a ser estudadas têm de ser estudadas no congexto dos interesses e valores que nos unem à UE", declarou o número dois de Barack Obama, depois de o Presidente norte-americano ter garantido que a relação especial entre EUA e Reino Unido vai manter-se apesar do Brexit.