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Número dois da mafia calabresa detido após 20 anos em fuga

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CARABINIERI / HANDOUT/EPA

Ernesto Fazzalari foi condenado à revelia a prisão perpétua e é descrito como um “assassino impiedoso”

Após 20 anos de tentativas frustradas, a polícia italiana deteve este domingo um dos mais procurados fugitivos à justiça, Ernesto Fazzalari, considerado o número dois da mafia calabresa.

Condenado a prisão perpétua em 1999 e à revelia, por associação criminosa, sequestro, posse de armas e por um duplo homicídio, Fazzalari não estava longe. Foi capturado ao nascer do dia, num apartamento situado numa remota região da Calábria, origem da organização criminal conhecida por Ndrangheta, e a grande rival da Cosa Nostra siciliana e da Camorra napolitana.

Atualmente com 46 anos, Ernesto Fazzalari ficou conhecido como o braço-direito de Matteo Denaro, o homem forte da Ndrangheta, cuja importância no mundo do crime cresceu graças ao tráfico de cocaína com os países da América Latina.

Descrito pelo juiz Federico Cafiero De Raho como um “assassino impiedoso”, Fazzalari teve um papel-chave na série de confrontos que, entre 1985 e 1991, envolveram gangues rivais, daí resultando mais de 600 mortos. Alguns dos episódios de violência ficaram famosos pelas características particularmente sangrentas.

A partir da Calabria, a organização mafiosa que a Europol classifica como uma das mais ricas e poderosas do crime organizado desenvolveu ramificações para o resto de Itália e, através da Europa, chegou à América do Sul, prosperando com o tráfico de droga.

Segundo as autoridades, Fazzalari conseguiu iludir a polícia ao longo da tantos anos graças à vigência de um absoluto “código de silêncio” e à cumplicidade de alguns cidadãos locais.

Em 2004, chegou a ser descoberto o seu esconderijo de luxo mas não foi possível capturá-lo. O “bunker” subterrâneo, construído por baixo de uma quinta em Taurianova, sua terra-natal, estava equipado com televisão, dispunha de acesso à internet, ar condicionado e no interior a polícia descobriu uma muito bem recheada dispensa, que incluia vinhos caros, garrafas de champagne Dom Perignon e charutos cubanos.

Apesar de viver na condição de fugitivo, “sempre se sentiu protegido no seu território, pelas suas gentes”, explicou De Raho.

Sobre o que tornou possível a detenção pouco se sabe. A polícia avançou, no entanto, que Fazzalari estava a dormir, tendo sido detida também uma mulher, de 41 anos, que o acompanhava. Junto dele estava um revólver.

A captura foi celebrada pelo primeiro-ministro italiano no Twitter. “Obrigado aos juízes e às forças de ordem. Viva Itália”, escreveu Matteo Renzi.

Por sua vez, o ministro do Interior Angelino Alfano sublinhou ter ficado provado que “ninguém pode escapar à Justiça”. E acrescentou, recorrendo à mesma rede social: “São vitórias com esta que nos dão ânimo e nos ajudam a prosseguir neste difícil combate (...) contra o crime organizado”.