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George Osborne atrasa ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa

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Getty Images

No seu primeiro discurso público desde a vitória do Brexit, o ainda chanceler do Tesouro britânico disse que para já não há necessidade de aplicar orçamento de emergência e garantiu que o Reino Unido está “em posição de força”, apesar das quedas consecutivas do preço da libra registadas nos últimos dias

George Osborne viu-se esta segunda-feira na difícil posição de assegurar que o Reino Unido está "numa posição de força" apesar de o referendo da passada quinta-feira ter ditado a saída do país da União Europeia, o cenário batizado Brexit que o chanceler do Tesouro tentou combater ao longo da campanha para a antecipada consulta popular.

Naquela que foi a sua primeira conferência de imprensa desde a vitória do Brexit, o chefe das Finanças disse que "a Grã-Bretanha está preparada para enfrentar o que o futuro lhe reserva a partir de uma posição de força", numa tentativa de acalmar os mercados após terem sido registadas novas quedas o preço da libra esterlina esta segunda-feira, em linha com a reação negativa dos mercados ao resultado do referendo.

Aos jornalistas, Osborne garantiu que o "crescimento económico tem sido robusto e [que] o emprego está em níveis recorde", pelo que, para já, não será necessário aprovar um orçamento de emergência. "A nossa economia está tão forte quanto poderia estar para enfrentar o desafio que o país enfrenta agora", declarou o chanceler, defendendo que a decisão de aprovar um orçamento de emergência pertence ao próximo governo britânico.

Questionado sobre se vai continuar a ocupar o cargo até outubro, altura em que o primeiro-ministro demissionário, David Cameron, vai abandonar a liderança do Executivo, o chanceler adiou a decisão. "Haverá questões sobre o futuro do Partido Conservador e eu irei falar sobre o meu papel nisso nos próximos dias."

No mesmo discurso, e contrariando as pressões de Bruxelas e dos parceiros da União Europeia para que o Reino Unido ative "rapidamente" o art. 50.º do Tratado de Lisboa, que prevê a saída de um Estado-membro do bloco regional no prazo de dois anos, Osborne sublinhou que tal não vai acontecer em breve.

"Só o Reino Unido pode ativar o artigo 50 e, em meu entender, só devemos fazê-lo quando existir uma perspetiva clara sobre o novo acordo que vamos tentar firmar com os nossos vizinhos europeus", declarou. "Entretanto, e ao longo das negociações que vão acontecer, não haverá quaisquer alterações aos direitos das pessoas de viajarem e trabalharem nem à forma como os bens e serviços são trocados nem à forma como a nossa economia e sistema financeiro são regulados."

Quando na sexta-feira anunciou a sua demissão dentro de três meses, David Cameron já tinha deixado claro que a decisão de recorrer a esse artigo da Constituição da UE pertence a quem lhe suceder em outubro. Contudo, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e os líderes de França e da Alemanha estão a fazer tudo para que a saída britânica da UE seja concretizada o mais rápido possível.