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Defesa de Edward Snowden vai lutar por perdão formal de Barack Obama

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ANDREW KELLY / Reuters

Advogados que estão a trabalhar com o delator e ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional prometem aumentar pressão para que o norte-americano, atualmente na Rússia para combater ordem de extradição, receba perdão presidencial

Os advogados de defesa de Edward Snowden prometeram este fim-de-semana que vão lutar para que a administração de Barack Obama conceda um perdão presidencial ao ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA) que revelou a existência de programas de vigilância secretos em massa a cidadãos norte-americanos e a governos de aliados e inimigos dos EUA.

"Vamos apresentar um caso muito forte entre hoje e o final desta administração para provar que este é um caso raro para o qual o poder de perdão existe", disse à "New York Magazine" Ben Wizner, advogado da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla inglesa) que lidera a equipa de aconselhamento jurídico de Snowden. O perdão presidencial "não é para alguém que não violou a lei, é para quem o fez e existem razões extraordinárias para que a lei não seja aplicada contra esta pessoa", sublinhou.

Apesar do empenho de Wizner e da sua equipa para impedirem que o norte-americano seja julgado e condenado por espionagem e traição, o próprio Snowden admite que é improvável que a administração Obama lhe conceda esse perdão antes de o Presidente abandonar a Casa Branca em janeiro.

"Existe um elemento de absurdidade nisto", diz o ex-espião tornado delator no artigo de capa da "New York Magazine", que chegou este domingo às bancas norte-americanas. "Assistimos cada vez mais a criticismos tecidos a este esforço que têm mais a ver com indignação do que com real preocupação por causa de danos reais."

Há um mês, o ex-procurado-geral dos EUA sob a atual administração de Barack Obama tinha dado a entender que, apesar de as revelações de Snowden se qualificarem como "serviço público", o cidadão norte-americano atualmente exilado na Rússia não deverá escapar a algum tipo de punição pelo que fez.

"Podemos discutir a forma como Snowden fez o que fez, mas penso que na verdade ele executou um serviço público ao elevar o debate sobre como nos envolvemos e as mudanças que alcançamos", declarou Eric Holder num podcast da CNN a 31 de maio, com a ressalva de que "o que ele fez e a forma como o fez foi inapropriada e ilegal".