Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Cameron recusa segundo referendo no Reino Unido

  • 333

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, nos estúdios da BBC este domingo onde deu uma entrevista

JEFF OVERS / BBC / HANDOUT

Porta-voz do primeiro-ministro britânico diz que uma segunda consulta popular sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia não está em cima da mesa

Depois de milhares de britânicos terem assinado nos últimos dias uma petição para se realizar um segundo referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), após a vitória do Brexit no plebescito da passada quinta-feira, Downing Street coloca de lado essa hipótese.

O porta-voz do primeiro-ministro britânico David Cameron diz, citado pelo “Independent”, que uma segunda consulta popular sobre a permanência do Reino Unido na UE não está “não está, nem de longe, em cima da mesa.” “Houve um resultado decisivo [no referendo]. O enfoque do governo britânico deve ser a discussão sobre a forma como se vai negociar o processo de saída”, acrescenta o porta-voz.

Esta posição surge depois de o presidente da Câmara dos Comuns ter declarado que caso sejam recolhidas 100 mil assinaturas – tal como sempre – essa petição será discutida no Parlamento.

Cameron confirmou esta segunda-feira aos deputados que irá ser ser constituída uma equipa para liderar o processo de negociação com a UE da saída do país do bloco europeu.

Entretanto, o diretor da campanha para o Brexit, Matthew Elliott, elogiou a intenção manifestada pelo chefe do governo britânico em não ter querer acelerar o processo, contrariando o desejo da Comissão Europeia.

Tanto o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, como o presidente do Parlamento Europeu, Martin Shulz, defendem que deve ser acelerada a saída do Reino Unido da União Europeia, uma vez que o artigo 50.º do Tratado de Lisboa prevê um prazo de de dois anos para negociar a saída de um país do bloco europeu.

Por seu turno, a chanceler alemã disse compreender o Reino Unido tenha necessidade de um certo tempo para analisar as coisa que o “Reino Unido precise de algum tempo para analisar as coisas”.

Em Bruxelas, o secretário de Estado norte-americano John Kerry apelou aos Estados-membros da UE para não se vingarem do Reino Unido após a vitória do Brexit no referendo, reconhecendo contudo que essa decisão traz vários desafios pela frente. Os EUA, garante Kerry, “farão tudo o que estiver ao nosso alcance para tornar este processo de transição o mais suave possível.”

Na quinta-feira, 51,9% dos britânicos votaram a favor do Brexit, contra 48,1% que queriam que o país se mantivesse na UE.

  • George Osborne atrasa ativação do artigo 50 do Tratado de Lisboa

    No seu primeiro discurso público desde a vitória do Brexit, o ainda chanceler do Tesouro britânico disse que para já não há necessidade de aplicar orçamento de emergência e garantiu que o Reino Unido está “em posição de força”, apesar das quedas consecutivas do preço da libra registadas nos últimos dias

  • “O que em tempos foi impensável tornou-se irreversível”

    François Hollande e Angela Merkel dizem estar “totalmente de acordo” sobre como agir face ao Brexit e vão encontrar-se em Berlim para discutir opções. Boris Johnson, que liderou a campanha Leave e que é tido como provável sucessor de David Cameron, diz que Reino Unido vai continuar a “intensificar” cooperação com a União Europeia