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Terramoto Brexit arrasa partido Trabalhista

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Hillary Benn foi a primeira vítima do Brexit no partido Trabalhista

WILL OLIVER/EPA

O domingo amanheceu cinzento para o partido Trabalhista britânico, que foi acordado por duas demissões. O líder Jeremy Corbyn tirou o tapete ao responsável pela pasta dos Negócios Estrangeiros do seu partido, Hillary Benn, e agora arrisca-se a ficar sem metade dos seus ministros-sombra

As primeiras horas deste domingo foram negras para o partido Trabalhista britânico. O líder Jeremy Corbyn demitiu Hillary Benn após suspeitas de que o secretário das relações exteriores do seu partido se preparava para liderar um golpe contra Corbyn.

Mais de metade do governo-sombra britânico (que detém pastas semelhantes aos vários Ministérios governamentais), assegurado por membros do partido Trabalhista – o maior partido da oposição - deverá demitir-se ainda durante o dia de hoje, avançam vários meios de Comunicação ingleses.

Benn foi vítima das ondas de choque causadas pela vitória do brexit no rescaldo do referendo da passada quinta-feira.

Dois membros do partido Trabalhista apresentaram na sexta-feira uma moção de censura a Corbyn, apelando ao debate sobre a continuidade da sua liderança. Diversos membros do partido culpam-no de ter falhado em persuadir os eleitores a votarem pela permanência do Reino Unido na União Europeia.

Algumas horas depois de se saber da saída de Hillary Benn, Heidi Alexander, a responsável trabalhista pela pasta da Saúde, apresentou a sua demissão.

Numa carta endereçada a Corbyn, publicada na sua página do Twitter, resumiu: “Por mais que o respeite como um homem de princípios, não acredito que tenha a capacidade para dar as respostas que o nosso país precisa e creio ser essencial uma mudança na liderança se formos chamados a formar um novo Governo”.

Heidi Alexander junta-se assim ao coro de críticos que não vêem em Corbyn um líder capaz de motivar o eleitorado a votar no partido Trabalhista - o principal partido da oposição, em contraponto aos Conservadores - nas próximas eleições gerais.

O jornal “The Observer” dá conta de que “Benn contactou com deputados do seu partido durante o fim de semana para lhes dizer que iria pedir a Corbyn que se demitisse caso se reunisse o apoio suficiente contra a sua liderança”.

Segundo Hillary Benn, o seu afastamento decorreu de uma conversa telefónica com Corbyn, em que aquele terá dito ao líder dos Trabalhistas que perdera a confiança na sua liderança.

“É claro que existe agora uma preocupação generalizada entre os deputados Trabalhistas e no governo-sombra sobre a capacidade de liderança de Jeremy Corbyn no nosso partido. Em particular, não existe confiança na nossa capacidade para vencer as próximas eleições gerais, que podem realizar-se mais cedo do que o esperado, caso Jeremy continue a liderar”, acrescentou Benn.