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Governo iraquiano recupera controlo total de Fallujah

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HAIDAR MOHAMMED ALI/Getty Images

A reconquista da cidade iraquiana de Fallujah, nas mãos do Estado Islâmico desde o início de 2014, representa uma importante vitória sobre os combatentes do grupo terrorista, que continua a perder terreno no Iraque

Helena Bento

Jornalista

As forças iraquianas declararam este domingo ter retomado o controlo total sobre a cidade de Fallujah, nas mãos do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) desde janeiro de 2014. A reconquista da cidade representa uma grande vitória sobre os combatentes do grupo terrorista, que perdem, assim, um importante centro estratégico, muito próximo da capital iraquiana de Bagdade.

A reconquista de Fallujah pelas tropas governamentais, apoiadas pela coligação liderada pelos EUA (através de ataques aéreos) e, no terreno, por milícias xiitas, começou nos últimos dias de maio. Cerca de 15 dias depois, era anunciada a conquista do complexo governamental de Fallujah – que engloba um conjunto de edifícios públicos, como a esquadra da polícia e tribunais – e de grande parte da cidade, levando os combatentes do Daesh a bater em retirada para a zona oeste da mesma.

Concentrados, desde então, na zona de Al-Julan, no noroeste da cidade, os combatentes do grupo terrorista foram, nos últimos dias, expulsos pelas tropas iraquianas, afirmou à AFP Abdul-Wahab al-Saadi, líder das forças de combate ao terrorismo que participaram na operação de reconquista da cidade iraquiana.

A reconquista de Mossul, principal bastião do grupo no Iraque, é o próximo objetivo. “Tal como vos prometemos, hoje, esta bandeira [bandeira iraquiana] está hasteada em Fallujah e, se Deus quiser, estará também em breve hasteada em Mossul. Apelo a que todos os iraquianos saiam à rua para celebrar”, afirmou, citado pela AFP, Haider al-Abadi, primeiro-ministro iraquiano, diante do principal hospital de Fallujah.

Mas antes disso, é preciso normalizar a situação na cidade reconquistada. Um porta-voz das forças operacionais disse à Reuters que as tropas governamentais estão agora a desmantelar bombas e armadilhas montadas em habitações. De acordo com o ministro da Defesa iraquiano, 90% de Fallujah encontra-se “segura” e em condições de ser habitada, ao contrário de outros antigos bastiões do autoproclamado Estado Islâmico no Iraque, como Ramadi ou Tikrit.

A luta pela reconquista da cidade forçou mais de 85 mil pessoas a abandonar a cidade, enfrentando problemas como a falta de alimentos, água e medicamentos. A Organização Muncial de Saúde (OMS) chamou recentemente a atenção para as péssimas condições de saúde de muitos dos deslocados iraquianos e para a possibilidade de surtos de doenças infeciosas como a poliomielite.