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É oficial: está em curso uma revolução no Partido Trabalhista britânico

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NEIL HALL/Reuters

Oito dirigentes do Partido Trabalhista britânico demitiram-se este domingo em resposta à demissão, por Jeremy Corbyn, de Hillary Benn, o porta-voz para a Política Externa, considerado um dos homens mais experientes do partido

Helena Bento

Jornalista

Oito dirigentes do Partido Trabalhista britânico demitiram-se este domingo em protesto contra a liderança de Jeremy Corbyn.

A decisão da demissão conjunta foi anunciada depois de o líder trabalhista ter demitido, na manhã deste domingo, Hilary Benn, o porta-voz para a Política Externa do partido, filho do histórico deputado trabalhista Tony Benn. Em reação ao sucedido, vários meios de comunicação ingleses admitiam que mais demissões poderiam ocorrer ainda hoje. E foi isso que aconteceu.

Os porta-vozes da Saúde, Heidi Alexander, da Educação, Lucy Powell, do Ambiente, Kerry McCarthy, dos Transportes, Lilian Greenwood, da Escócia, Ian Murray, da Irlanda do Norte, e as responsáveis pelas áreas do Tesouro, Seema Malhotra, e Juventude, Gloria de Piero, anunciaram que vão abandonar o partido. Acusam Jeremy Corbyn de nunca ter estado verdadeiramente empenhado na campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia, não tendo conseguido persuadir os eleitores britânicos a votarem pelo “Ficar”.

“Por mais que o respeite como um homem de princípios, não acredito que tenha a capacidade para dar as respostas que o nosso país precisa e creio ser essencial uma mudança na liderança se formos chamados a formar um novo Governo”, escreveu Heidi Alexander, porta-voz para a Saúde, numa carta endereçada a Corbyn, publicada na sua página do Twitter.

Do seu lado, o líder trabalhista tem, entre outros aliados, John McDonnell, porta-voz para as Finanças, que já veio lamentar as divisões no partido - num momento em que, segundo diz, todos deviam estar unidos -, e garantir que Corbyn “não vai a lado nenhum”, apesar de estar “triste e desiludido” com aqueles que estão contra si. Também Diane Abbott, titular da pasta Cooperação Internacional, tem-se mantido do lado do líder.

A mensagem de que Corbyn “não vai a lado nenhum” dirigia-se em especial a Margaret Hodge e Ann Coffey, duas deputadas do Partido Trabalhista que, na sexta-feira, apresentaram uma moção de censura contra o líder trabalhista, e a todos aqueles que, na reunião de segunda-feira, onde será discutida essa moção, posicionarem-se a favor de novas eleições no partido para eleger um novo líder. Corbyn, de resto, também já garantiu que, perante esse cenário, candidatar-se-á novamente.

Membros do “Labour” em choque com demissão de Hilary Benn

A notícia da demissão de Hilary Benn, um dos mais experientes membros do partido, chegou este domingo de manhã. Corbyn tê-lo-á demitido por suspeitar que Benn se preparava para liderar um golpe interno contra si, conforme foi noticiado pelo “Observer”. Tudo aconteceu durante uma conversa por telefone entre os dois no início da madrugada deste domingo. O “ministro-sombra” para os Negócios Estrangeiros terá dito a Corbyn que perdera a confiança na sua liderança, e Corbyn, perante estas declarações, reveladoras de um clima de instabilidade, e perante a suspeita de um eventual golpe interno, decidiu afastá-lo do partido. “Hilary Benn foi demitido porque Jeremy perdeu a confiança nele”, afirmou um porta-voz do Labour.

Esta manhã, numa entrevista à BBC, Hilary Benn voltou a mostrar o seu desagrado em relação à liderança de Corbyn. “Neste momento absolutamente crítico para o nosso país, depois do resultado do referendo, o Partido Trabalhista precisa de uma liderança forte e eficaz”. Atualmente, afirmou Benn, essa liderança “não existe”, assim como “não existe qualquer confiança de que sejamos capazes de vencer as eleições enquanto ele for líder. Senti que era importante dizer isto”.

Ao “Guardian”, membros do Labour britânico admitiram que a demissão de Hilary Benn poderá causar um “motim” no partido. Um membro próximo de Jeremy Corbyn confessou ao jornal britânico que todos estavam “chocados” com a decisão de afastar Benn. Outro ainda disse que uma decisão tão repentina e inesperada quanto esta poderá causar ainda mais problemas ao líder trabalhista.