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Expresso

Internacional

Os pontos de atrito futuros entre a UE e o Reino

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O processo de negociação da saída traz muitas incógnitas Estes são os tópicos que podem provocar discórdia

Calendário da saída

Se o Artigo 50 do Tratado de Lisboa (que dita as regras do processo de saída de um Estado-membro) for acionado, os restantes 27 países decidirão entre si os termos da saída dos britânicos. Por esta razão, Londres pode hesitar em acionar o artigo, preferindo antes uma negociação mais lenta e informal. Mas Bruxelas está decidida a fechar o dossiê ‘Brexit’ “o mais rápido possível, mesmo que tal seja doloroso”, como explicaram os presidentes do Conselho, da Comissão e do Parlamento europeus na manhã de sexta-feira, respetivamente Donald Tusk, Jean-Claude Juncker e Martin Schulz.

Tipo de acordo comercial

Outro ponto de discórdia é o tipo de acordo comercial a estabelecer entre o Reino Unido e o resto da Europa. Há várias hipóteses em cima da mesa: um modelo semelhante ao da Noruega, com poucas alterações nas trocas comerciais mas sem intervenção britânica na regulação europeia; um conjunto de acordos bilaterais, como tem a Suíça; um novo acordo comercial, construído de raiz; ou, finalmente, trocas comerciais regidas apenas pelas regras gerais da Organização Mundial do Comércio. Não é certo que tipo de acordo preferirão as partes.

Vistos e imigração

Serão necessários vistos de turista e de trabalho no futuro para os europeus? Os estudantes europeus passarão a pagar propinas mais elevadas, à semelhança dos alunos norte-americanos, por exemplo? O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, diz-se convicto de que os interesses dos portugueses a viver e a trabalhar no país “continuarão a ser defendidos”, enquanto o presidente da Câmara de Londres, Sadiq Khan, garante a todos os cidadãos estrangeiros a viver na cidade que “são muito bem-vindos”. No entanto, não é certo que regras mudarão nem como. Já para os estudantes britânicos o ‘Brexit’ significará automaticamente o fim do acesso a programas de intercâmbio como o Erasmus.

Língua franca

Continuará o inglês a ser a língua franca da União? Revanchismos à parte, tudo indica que sim. Muito embora os 24 idiomas dos países-membros sejam aceites como língua de trabalho das instituições europeias, o inglês é a principal forma de comunicação, sendo falado por 38% de europeus que têm outra língua natal. É claro que estamos a falar do “euro english” e não do idioma em que Shakespeare ou Churchill escreveram…