Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Jeremy Corbyn afasta possibilidade de deixar liderança do Partido Trabalhista

  • 333

Jeff J Mitchell / Getty Images

O líder do Partido Trabalhista britânico é acusado de nunca ter estado realmente empenhado na campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Na sexta-feira, foi-lhe apresentada uma moção de censura por duas deputadas do seu partido, que será discutida já na próxima segunda-feira

Helena Bento

Jornalista

Ao contrário dos rumores que começaram a circular na sexta-feira, depois de ser conhecido o resultado do referendo no Reino Unido, o líder do Partido Trabalhista britânico Jeremy Corbyn não pretende abandonar a liderança do partido. Questionado sobre se irá manter-se no “Labour” caso haja eleições para escolher um novo líder, Corbyn respondeu apenas: “Sim, estou aqui.”

O líder do Partido Trabalhista, que falava este sábado de manhã numa conferência de imprensa em Londres, viu ontem ser-lhe apresentada uma moção de censura por duas deputadas do seu partido, Margaret Hodge e Ann Coffey, apelidadas pelo “Financial Times” de “rebeldes”, precisamente por terem avançado com a moção. Esta será discutida na próxima segunda-feira, numa reunião do “Labour”, podendo, se assim for decidido, ser votada pelos deputados do partido no dia seguinte, terça-feira.

Os rumores a respeito da saída de Jeremy Corbyn da liderança do partido começaram a circular pouco tempo depois de serem conhecidos os resultados do referendo e de James Cameron ter anunciado a sua demissão. Corbyn é acusado de nunca ter estado realmente empenhado na campanha pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Tony Blair, na manhã em que se soube que os eleitores britânicos tinham votado pela saída do país da UE, disse que a partipação do líder trabalhista na campanha tinha sido “bastante morna”.

Margaret Hodge, uma das deputadas responsáveis pela moção de censura, disse que Corbyn devia fazer aquilo que ela considera ser a opção mais “decente”, ou seja, “demitir-se”. “O referendo europeu foi um teste de liderança e acho que Jeremy falhou esse teste. Ele fez uma campanha muito fraca e não conseguiu convencer os eleitores trabalhistas”, disse a deputada, citada pelo “Financial Times”. “Enfrentamos um tempo verdadeiramente tumultuoso. Acho que a pergunta que cada um de nós deve fazer a si mesmo é - Será Jeremy Corbyn capaz de conduzir os destino do partido através destes tempos tumultuosos que se avizinham?”, questionou.

Também Peter Mandelson, ex-ministro no governo de Tony Blair, criticou Corbyn, dizendo ao “Financial Times” que o líder trabalhista esteve “curiosamente calado” durante a campanha, e que, quando finalmente decidiu falar, enviou “mensagens ambíguas”. Há também quem não perdoe o líder trabalhista por ele não ter aparecido ao lado de James Cameron e do presidente da câmara de Londres, Sadiq Khan, em defesa do “Remain”. Corbyn enfrenta o maior teste à sua liderança, desde que foi eleito líder do partido, em setembro do ano passado.