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Boris, o favorito das casas de apostas

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Boris Johnson poderá ser o sucessor de David Cameron

REUTERS

Está aberta a luta pela sucessão de David Cameron. O ex-mayor de Londres destaca-se

A renúncia de David Cameron abre caminho a uma eleição interna no Partido Conservador, cujo vencedor deverá liderar também o próximo Governo. Será ele que conduzirá as negociações com os 27 Estados-membros que sobram na UE para levar a cabo o ‘Brexit’. O ainda primeiro-ministro ficará três meses no cargo para garantir estabilidade. Mas deseja que à data da conferência do seu partido, no outono, já haja novo chefe.

As casas de apostas, com grande tradição no Reino Unido, colocam como sucessor mais provável Boris Johnson, o ex-autarca de Londres. Quando concorreu a deputado em 2015, um ano antes do fim do mandato na Câmara, muitos adivinharam que o fazia para poder aspirar à liderança (um assento parlamentar é requisito para chefiar o Governo).

Outra figura do ‘Brexit’ incluída no lote de putativos candidatos é o ministro da Justiça, Michael Gove, embora tenha recusado tal ideia antes do referendo. Do lado dos que votaram para ficar na UE, fala-se dos ministros do Interior (Theresa May) e das Finanças (George Osborne). Além destes, exprimiram disponibilidade — antes do referendo e de a questão se colocar efetivamente — os deputados Robert Buckland, Liam Fox, Justine Greening (ministra do Desenvolvimento Internacional) e Nicky Morgan (ministra da Educação).

Cameron já anunciara, antes da vitória nas legislativas de 2015, que este seria o seu último mandato. O referendo encurtou a respetiva duração, devendo agora os 330 deputados conservadores — uma vez declaradas as candidaturas — reduzir a dois o leque de nomes que vão a jogo. Em seguida, os 150 mil militantes do partido elegerão um deles.

Eleições não são obrigatórias

No sistema político britânico é banal a substituição do primeiro-ministro sem eleições. A última vez foi em 2007, quando o trabalhista Tony Blair deixou o poder ao fim de dez anos, passando o testemunho a Gordon Brown. Ainda assim, o novo primeiro-ministro pode sentir necessidade de convocar legislativas, para se legitimar.

Brown foi criticado no Partido Trabalhista por não o ter feito. Não porque carecesse de legitimação (era sucessor anunciado de Blair) mas porque estava em boa posição de vencer eleições em 2007. Preferiu esperar pelo calendário normal e perdeu-as em 2010, após a crise financeira global.

No caso do sucessor de Cameron, as negociações do ‘Brexit’ e a divisão que o resultado do referendo pôs a nu recomendam uma liderança forte. Isso pode passar (pese embora o risco ) por eleições.