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PS quer diplomacia “vigorosa e atenta”

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António Cotrim / Lusa

“No plano nacional impõe-se que a diplomacia portuguesa atue de forma vigorosa e atenta, criando, eventualmente, uma estrutura de missão que neste período de transição acompanhe e vigie os interesses estratégicos e bilaterais portugueses”, defendeu Carlos César na Assembleia da República, em reação ao resultado do referendo no Reino Unido

O PS lamentou esta sexta-feira o resultado do referendo no Reino Unido, defendendo como resposta uma "reabilitação" da União Europeia, e sugeriu a criação pela diplomacia portuguesa de uma estrutura de missão para acompanhar os interesses estratégicos bilaterais.

Esta posição foi transmitida pelo presidente do PS, Carlos César, na Assembleia da República, depois de no referendo de quinta-feira 51,9% dos eleitores britânicos terem decidido pela saída do Reino Unido da União Europeia.

Na sequência deste resultado, de acordo com o líder parlamentar socialista, no plano europeu "a grande tarefa será a de reabilitar a Europa, que não terminou e que recomeçou num novo ponto de partida".

"No plano nacional impõe-se que a diplomacia portuguesa atue de forma vigorosa e atenta, criando, eventualmente, uma estrutura de missão que neste período de transição acompanhe e vigie os interesses estratégicos e bilaterais portugueses em relação ao Reino Unido", defendeu.

Interrogado sobre as consequências para Portugal resultantes da saída do Reino Unido da União Europeia, o presidente do PS disse que o país está preparado no contexto da União Europeia, "do que dela resta ou restará".

"Portanto, é nesse contexto que se deve preparar, acautelando numa dimensão bilateral os seus interesses com o Reino Unido, que são muitos - interesses desde o setor do turismo, à segurança, à nossa atlanticidade e todos os aspetos que envolvem a presença massiva de portugueses nesse país. A diplomacia portuguesa tem de concentrar-se de forma muito rigorosa nessas dimensões", sustentou o líder da bancada socialista.

Já sobre as consequências económicas e financeiras para o país na sequência do Brexit, Carlos César referiu que o ministro das Finanças, Mário Centeno, já "procurou tranquilizar - e com razões para isso - os portugueses e os mercados", mas salientou que essa é uma matéria que "tem de ser tratada à escala europeia".

"É a essa escala que as instituições europeias", designadamente o Banco Central Europeu, "devem refletir e agir", defendeu.

Em relação ao futuro da União Europeia, Carlos César afirmou não colocar essencialmente a sua preocupação no plano imediato, nomeadamente em termos de acesso aos mercados para cobrir as necessidades de financiamento nacionais, porque esse vetor, na sua perspetiva, está assegurado.

"As minhas preocupações são mais no plano estratégico e de médio prazo. Que Europa nós teremos e em que Europa nós estaremos?", questionou o presidente do PS, exemplificando desta forma a sua posição.

Para Carlos César, no plano político, o resultado do referendo no Reino Unido demonstra que os avisos que têm sido feitos pelo PS sobre a evolução no quadro da União Europeia "têm muita razão de ser".

"Esta Europa está cada vez mais longe dos anseios dos cidadãos, não tem cumprido as suas missões de fomento do bem-estar, da coesão territorial ou da competitividade económica e tem graves défices de legitimidade democrática ao nível das suas instituições. A fragmentação do poder, com a ascensão de poderes nacionais, por contraposição ao conceito da União Europeia, tem sido também uma marca negativa", apontou ainda o presidente do PS.

Carlos César lamentou depois que os "responsáveis" estejam a ignorar esta situação, dando como exemplos a crise dos refugiados, a forma como tem sido abordada a questão dos défices ou o tratamento dado aos Estados-membros com dívida pública elevada.

"Há uma desorientação e uma desadaptação das instituições comunitárias em relação à realidade", acrescentou o presidente do PS.