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Obama confiante numa “transição ordenada” do Reino Unido

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KEVIN LAMARQUE/REUTERS

O Presidente dos EUA assegurou que a relação especial entre Washington e Londres não será alterada

O Presidente dos EUA, Barack Obama, manifestou-se esta sexta-feira confiante numa "transição ordenada" do Reino Unido no processo de saída da União Europeia (UE) e assegurou que a relação especial entre Washington e Londres não será alterada.

"Ontem, o voto [numa referência ao referendo sobre o 'Brexit'] pronunciou-se sobre as alterações e desafios em curso que são colocadas pela globalização", disse Obama na universidade de Stanford, um dia após os eleitores britânicos terem optado num referendo histórico por sair da UE, após 43 anos de integração no bloco europeu.

Após ter contactado com o primeiro-ministro britânico David Cameron, Obama disse ainda estar "confiante que o Reino Unido está empenhado numa transição ordenada na saída da UE".

Depois de falar com o primeiro-ministro britânico, que anunciou a sua demissão dentro de três meses após os conservadores elegerem nova liderança, Obama referiu-se a um "amigo e parceiro extraordinário", com quem também abordou na conversa de hoje a "importância de permanecer concentrado no crescimento económico e na estabilidade financeira".

O chefe da Casa Branca disse ainda ter contactado a chanceler alemã Angela Merkel e sublinhou que os EUA e os seus parceiros da UE vão "trabalhar juntos e de forma estreita" nos próximos meses, com o início do processo de transição.

"Mas enquanto vão ser alteradas as relações do Reino Unido com a UE, uma coisa que não vai mudar é a relação especial que existe entre as duas nossas nações. Isso prevalecerá", disse Obama.

"A UE permanecerá um dos nossos indispensáveis parceiros. A nossa aliança na NATO vai manter-se uma pedra angular da segurança global", acrescentou.
"E os nossos valores comuns, incluindo o nosso compromisso pela democracia e pluralismo e as oportunidades para todas as pessoas num mundo globalizado, vão continuar a unir-nos a todos", frisou.

Previamente, e numa mensagem divulgada em Bruxelas, Obama tinha garantido que o seu país manterá as parcerias com o Reino Unido e com a UE, sublinhando respeitar a opção do eleitorado pelo 'Brexit'.

"O povo do Reino Unido falou e respeitamos a sua decisão. A relação especial entre os Estados Unidos e o Reino Unido é duradoura e o como membro da NATO, o Reino Unido continua a ser fundamental na política externa, de segurança e económica dos EUA ", disse Obama.

Os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido vai sair a União Europeia (UE), depois de o 'Brexit' ter conquistado 51,9% dos votos no referendo de quinta-feira, cuja taxa de participação foi de 72,2%.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anunciou já a sua demissão com efeitos em outubro.

Numa primeira reação, os presidentes das instituições europeias (Comissão, Conselho, Parlamento Europeu e da presidência rotativa da UE) defenderam um 'divórcio' o mais rapidamente possível, "por muito doloroso que seja o processo".

  • O Brexit vence no Reino Unido. Irá Obama cumprir as garantias que fez?

    Em abril deste ano, depois de um encontro com David Cameron no Reino Unido, Barack Obama disse que “a prioridade do [seu] país é negociar com grandes blocos, com a União Europeia”, dando a entender que o Reino Unido seria excluído de quaisquer conversações caso os seus eleitores optassem pela saída da União Europeia