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Internacional

O Brexit vence no Reino Unido. Irá Obama cumprir as garantias que fez?

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AUDE GUERRUCCI / POOL / EPA

Em abril deste ano, depois de um encontro com David Cameron no Reino Unido, Barack Obama disse que “a prioridade do [seu] país é negociar com grandes blocos, com a União Europeia”, dando a entender que o Reino Unido seria excluído de quaisquer conversações caso os seus eleitores optassem pela saída da União Europeia

Helena Bento

Jornalista

Questionado, no final do encontro com David Cameron (que aconteceu em abril deste ano) sobre a disponibilidade norte-americana para negociar com Londres, caso os eleitores do país decidissem a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, o presidente norte-americano Barack Obama afirmou: “Em algum momento no futuro poderá vir a haver um acordo de comércio entre o Reino Unido e os EUA, mas isso não vai acontecer em breve, porque a nossa prioridade é negociar com grandes blocos, com a União Europeia”.

Se o resultado do referendo for favorável à saída, disse ainda Obama em Downing Street, serão precisos vários anos até que o Reino Unido consiga assinar um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. “O Reino Unido terá de ir para o fim da fila”, garantiu o presidente norte-americano, contrariando, assim, um dos principais argumentos da campanha pelo "Brexit" - o de que a libertação do país das “amarras de Bruxelas” torná-lo-ia livre para celebrar acordos de comércio com as nações emergentes e o seu histórico aliado.

As palavras de Obama, nesse dia (22 de abril), não deixaram margem para muitas dúvidas - em caso de Brexit, o comércio entre os dois países será negativamente abalado. “Estávamos à espera que Obama lançasse uma ou duas granadas de mão. Em vez disso, detonou uma bomba nuclear”, escrevia, na altura, o editor de política do jornal “Times”, Tim Shipman, na sua conta do Twitter. As reações, de resto, foram igualmente explosivas. Um deputado conservador disse à BBC que a opinião de Obama era irrelevante, já que ele está prestes a abandonar a Casa Branca e porque ao juntar-se a Cameron num momento tão polémico quanto o da véspera do referendo, estaria apenas “a fazer um favor a um velho amigo britânico”.

Boris Johnson, por outro lado, chamou Obama de “presidente meio queniano” e, num artigo publicado no “The Sun”, contou a história de como um busto de Winston Churchill tinha sido devolvido da Casa Branca à embaixada britânica nos Estados Unidos para dar a entender que o Presidente norte-americano não partilha dos valores britânicos. O antigo “mayor” de Londres acusou ainda a União Europeia, “esse organismo estabelecido há tanto tempo com o objetivo nobre de evitar uma nova guerra”, de estar, ela própria, “a sufocar a democracia, aqui e em toda a Europa”.

Agora que já se conhece o resultado do referendo, e que o Reino Unido vai, de facto, deixar a União Europeia, o que se segue? Irá o comércio entre os dois países sair efetivamente a perder? Irá mesmo o Reino Unido para o “fim da fila”? As dúvidas acumulam-se. As notícias da vitória do Brexit apanharam-nos desprevenidos. A única coisa a fazer é esperar.