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Donald Tusk: “O que não te mata faz-te mais forte”

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OLIVIER HOSLET / EPA

O Presidente do Conselho Europeu garante que a UE está preparada para o “cenário negativo” de viver sem o Reino Unido. Donald Tusk convida os líderes europeus a pensarem do futuro da Europa

Donald Tusk não esconde que esperava outro resultado no referendo de quinta-feira no Reino Unido que, ao final da contagem dos votos, firmou a saída do país-fundador da União Europeia. “O momento é histórico” e com consequências imprevisíveis “especialmente para o Reino Unido”, adianta ainda o Presidente do Conselho Europeu. Ao mesmo tempo, desaconselha “reações histéricas” e diz que a União está preparada para o que aí vem.

Num comunicado divulgado esta manhã em reação à vitória do Brexit, Tusk lamentou que uma maioria qualificada dos britânicos tenha decidido pôr fim à sua integração no bloco regional, sublinhando que a Europa agora a 27 está empenhada em manter-se unida.

"Não há como esconder o facto de que queríamos um resultado diferente no referendo de ontem. Estou plenamente consciente de quão sério, e até dramático, é este momento politicamente. E não há forma de prever todas as consequências políticas deste evento, em especial para o Reino Unido", declarou Tusk num comunicado divulgado esta manhã.

No documento, o representante dos líderes dos 28 Estados-membros da UE — em breve 27, agora que o Brexit foi decidido em voto popular — diz que manteve reuniões com todos para anteciparem e se prepararem para o resultado anunciado. "Ao longo dos últimos dois dias, falei com todos os líderes da UE, ou seja com primeiros-ministros e Presidentes bem como com os chefes das instituições europeias, sobre a possibilidade de um Brexit. Hoje, em nome dos 27 líderes, posso dizer que estamos determinados em manter a nossa união a 27. Para todos nós, a união é a estrutura do nosso futuro comum. Até que o Reino Unido abandone formalmente a UE, a legislação da UE continuará a ser aplicada ao e dentro do Reino Unido. Falo de direitos e obrigações."

Apesar de não se saber como o processo de saída do Reino Unido vai decorrer, pelo caráter inédito desta decisão, Tusk recorda ainda que existem mecanismos que, apesar de nunca terem sido utilizados, servem precisamente para firmar uma saída como a que está agora escrita na pedra, à cabeça o artigo 50.º do Tratado de Lisboa.

"Todos os procedimentos para a retirada do Reino Unido da UE são claros e estão definidos nos tratados. Para discutir os detalhes de futuros procedimentos, propus aos líderes um encontro informal dos 27 à margem da cimeira do Conselho Europeu e vou também propor aos líderes que se dê início a um alargado processo de reflexão sobre o futuro da nossa União. É verdade que os últimos anos foram os mais difíceis da história da nossa União. Mas lembro-me sempre do que o meu pai me costumava dizer: o que não nos mata, torna-nos mais fortes."