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Reino Unido. “A city tem muito a perder”

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O périplo do Expresso pelas mesas de voto de Londres descobre que há preocupação na zona da cidade onde se concentram empresas e serviços financeiros

Pedro Cordeiro, enviado a Londres

É só uma milha quadrada e tem poucos milhares de habitantes, mas é na City londrina que se concentram as empresas multinacionais, bancos e fundos de investimento. Daí que, segundo o eleitor Paul Warren, muita coisa esteja em jogo no referendo desta quinta-feira.

Professor de Direito Internacional, não espera pela pergunta para revelar que votou "obviamente para ficar". "Ensino na Holanda e na Irlanda. Já viu o que era deixar de poder fazê-lo?", pergunta, lastimando a "mentalidade pequena e insular" dos que vão votar pelo Brexit. Talvez pelo muito a perder, a afluência às urnas tem sido grande, "mais parecendo uma eleição geral", diz a presidente de uma mesa de voto da City.

Alok Patel não revela o sentido de voto mas diz que "há bons argumentos dos dois lados". Trabalha num banco e acha que o Reino Unido vai ficar na UE. Allie Newton, funcionária de uma televisão, teme que os eurocéticos ganhem pois vê o seu trabalho posto em causa.

"Parece haver um fosso geracional. O meu pai e a maioria dos seus amigos votam para sair. Eu e os meus amigos queremos ficar", diz Allie, que conta que nenhum dos seus conhecidos jovens pensa abster-se, ao contrário do que as estatísticas indicam ser hábito. "Os empregos de quase todos nós dependem de algum modo da ligação à UE", diz, sublinhando ainda os 70 anos de paz que a comunidade ajudou a garantir.

A poucos metros, o igualmente jovem Sam Caldwell distribui folhetos a favor da saída, onde se frisa que países como a Sérvia, o Montenegro, a Albânia ou a Turquia podem em breve aderir à UE (facto que a campanha pela permanência tem desmentido). "Prefiro que sejamos peixe graúdo no mundo do que peixe miúdo na UE", explica. E não teme consequências económicas, porque "o mundo não vai virar costas ao Reino Unido de um dia para o outro" e há mais com quem comerciar do que os 27 parceiros europeus. Nisto, depara com um amigo. Abraçam-se e o outro diz-lhe: "Vou agora votar, e pelo teu lado!" Sam rejubila: "Temos de ganhar". "Não estou muito certo", responde o amigo.