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Internacional

Refugiados que escaparam ao Boko Haram estão a morrer à fome na Nigéria

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Mais de dois milhões de nigerianos estão deslocados dentro do país por causa dos avanços do Boko Haram

Getty Images

Pelo menos 200 pessoas das 24 mil que estão instaladas no campo de refugiados de Bama morreram à fome no último mês, alertam os Médicos Sem Fronteiras

Quase 200 refugiados que conseguiram escapar a militantes do Boko Haram e encontrar abrigo no campo de refugiados de Bama, na Nigéria, morreram à fome no último mês. Muitos dos habitantes temporários do campo de Bama estão traumatizados e uma em cada cinco crianças sofre de subnutrição aguda.

As informações foram avançadas esta quinta-feira pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF), que alertam para a "emergência humanitária catastrófica" em curso no campo que alberga cerca de 24 mil deslocados internos, uma pequena parte dos mais de 2,1 milhões de refugiados e deslocados que as incursões do Boko Haram no norte da Nigéria têm provocado.

Ao longo dos últimos sete anos, os sucessivos ataques do Boko Haram já provocaram mais de 20 mil mortos. Este ano, o exército da Nigéria lançou uma ofensiva de larga escala para destronar o grupo que pretende criar um califado islâmico no norte do país, mas os ataques a vilas e aldeias do nordeste continuam a acontecer numa base quase diária, deixando um rasto de destruição e violência pelo caminho.

De acordo com o comunicado divulgado esta quinta-feira pelos MSF, os refugiados de Bama, onde uma equipa da organização não-governamental conseguiu chegar na terça-feira vinda de Maiduguri, apesar dos perigos de viajar naquela zona, dizem que 30 pessoas estão a morrer a cada dia por causa da fome ou vítimas de doenças.

"Esta é a primeira vez que os MSF conseguem chegar a Bama, mas já sabíamos que as necessidades das pessoas naquele campo são para lá de gritantes", disse Ghada Hatim, líder da missão dos MSF na Nigéria. "Estamos a tratar crianças subnutridas em instalações médicas de Maiduguri e vemos o trauma nas caras dos nossos doentes pelo que testemunharam e pelos vários horrores a que sobreviveram."