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Ministro do Interior de Espanha não se demite

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OLIVER BERG

Jorge Fernández Díaz é acusado de conspirar contra líderes independentistas da Catalunha com o diretor do organismo de combate à fraude da região, Daniel de Alfonso. Ao "El País", Díaz defende que é ele quem está a ser alvo de uma conspiração, a três dias das eleições gerais antecipadas em Espanha

O ministro espanhol do Interior recusa-se a abandonar o cargo que ocupa no Governo conservador de Mariano Rajoy, não cedendo às pressões que se abateram sobre ele esta quarta-feira após o jornal "Público" ter revelado gravações secretas em que Jorge Fernández Díaz surge a discutir formas de descredibilizar líderes partidários e outros políticos da Catalunha que são a favor da independência da região.

A conversa gravada entre Díaz e o chefe do organismo antifraude da Catalunha Daniel de Alfonso terá acontecido antes do referendo tornado consulta popular não-vinculativa à independência da Catalunha, que teve lugar em novembro de 2014.

Na quarta-feira à noite, centenas de manifestantes saíram às ruas de Barcelona para se manifestarem contra Díaz, exigindo a sua demissão. Mas em declarações ao "El País", o ministro garante que "não vai dar ao independentismo [catalão] o gosto" de se demitir e declara que ele e o seu partido é que são as vítimas de uma conspiração, e não os separatistas catalães.

"Isto é uma conspiração ampla, que me escolheu num momento adequado e que tem como clara intenção atingir-me e ao Partido Popular", declarou ao jornal madrileno ao final de quarta-feira. Questionado sobre se, em algum momento, manteve efetivamente conversas daquele teor com Alfonso, Díaz respondeu: "Admito que essa parte da conversa, escutada dessa forma literal, pode lugar a essa interpretação, mas está tudo fora de contexto. Se não se escutar o conteúdo da conversa na íntegra pode deturpar-se o seu conteúdo facilmente."

O mesmo argumento é utilizado quando confrontado com a questão sobre se o presidente do executivo, Mariano Rajoy, tinha conhecimento da sua discussão com o chefe antifraude da Catalunha para orquestrar uma campanha de difamação dos separatistas. Sobre isso, o ministro admite que foi ele quem proferiu a frase "o presidente sabe", mas defende que se referia a outro assunto discutido na conversa, sem explicar de que assunto se tratava. "Que sentido teria eu mantê-lo a par de todos esses detalhes?"

De Alfonso, que também já garantiu que não planeia demitir-se, admite que se reuniu com o ministro Díaz, argumentando que é sua função encontrar-se com representantes de todos os partidos. "Mas daí a haver uma reunião para conspirar, para criar provas, é uma calúnia, é falso", disse em entrevista à rádio catalã, sublinhando que não fez "nada ilegal nem incorreto" e que as questões discutidas com o ministro na gravação não levaram à abertura de qualquer processo de inquérito.

A divulgação da conversa privada entre Díaz e Alfonso acontece a poucos dias das eleições gerais antecipadas em Espanha, que se realizam este domingo, 26 de junho, e que segundo as mais recentes sondagens vão terminar sem uma maioria qualificada de votos para que o PP consiga governar sozinho. Vários líderes da oposição em Espanha estão entre os que exigem a demissão de Díaz.