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Dia histórico na Colômbia: “Que este seja o último dia de guerra”

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ALEJANDRO ERNESTO/ EPA

Há mais de 50 anos que a guerra civil durava. Há quase quatro que se tentava chegar a acordo. 23 de junho de 2016 ficará para sempre marcado como o dia em que se baixaram as armas e o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) assinaram o cessar-fogo

Na guerra mais longa da América, assinou-se esta quinta-feira, em Havana, o cessar-fogo. Os confrontos já duravam há mais de 50 anos e há quase quatro que o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) negociavam um “um acordo de cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo”.

“Que este seja o último dia de guerra”, disse Rodrigo Echeverri (conhecido como Timochenko), líder máximo das FARC, citado pelo “El País”. “O que se está a selar não é a rendição da insurgência. O que foi acordado não é um produto de uma imposição de uma parte à outra”, acrescentou.

“Este é o fim das FARC como grupo armado”, disse Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, no decorrer da cerimónia de assinatura do cessar-fogo. “Subsistem fenómenos de violência e delinquência, como ELN [Exercito de Salvação Nacional] e gangues criminosos. Mas todos devemos compreender que o acordo a que chegamos com as FARC significa o fim da guerra com a maior e mais antiga guerrilha.”

O ponto essencial do acordo é a entrega das armas. Entre outros detalhes, o documento, cujo conteúdo só foi conhecido no decorrer da cerimónia, proíbe o uso de armas no exercício político, tendo as FARC 180 dias para as entregar (depois todo o armamento será entregue às Nações Unidas) e prevê a formação de um mecanismo tripartido composto por elementos do governo, da guerrilha e de uma equipa de observadores da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.

Na cerimónia desta quinta-feira, onde se assinou um documento considerado fundamental para abrir caminho para a paz, marcaram presença, além do presidente da Colômbia e do líder máximo das FARC, algumas personalidades internacionais, incluindo os presidentes de Cuba, Venezuela, Chile, República Dominicana e El Salvador.

A guerra civil que lavra pelas zonas rurais da Colômbia há meio século vitimou quase um quarto de milhão de pessoas, 80% delas civis, e fez milhões de refugiados internos, tornando a Colômbia um dos três países com mais refugiados internos do mundo, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados. São sete milhões os que estão registados no Centro de Vítimas criado pelo Governo - desses, o organismo da ONU estima que quase seis milhões sejam refugiados. Não há ninguém que não conheça alguém afetado pelo conflito, mesmo em Bogotá, uma zona urbana afastada dos meios rurais onde as guerrilhas operam.