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Internacional

Democratas em protesto na Câmara dos Representantes por maior controlo de armas de fogo

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Chip Somodevilla

Membros do partido no poder estão a ocupar a câmara baixa do Congresso há mais de 15 horas, entoando cânticos a favor do projeto-lei apresentado no rescaldo do massacre numa discoteca gay de Orlando, que foi chumbado pelo Senado na terça-feira. Manifestação continua esta quinta-feira, apesar de votação de novo projeto-lei mais limitado ter sido adiada para depois de 5 de julho

Os membros do Partido Democrata que integram a Câmara dos Representantes norte-americana deram início esta quarta-feira a um protesto que continuava em marcha esta quinta-feira, há mais de 15 horas, na câmara baixa do Congresso para exigirem maiores restrições à compra e venda de armas de fogo, depois de um projeto-lei apresentado por um senador democrata no rescaldo do massacre numa discoteca gay de Orlando, na Florida, ter sido chumbado pelos republicanos do Senado na terça-feira.

O líder da maioria republicana na Câmara dos Representantes, Paul Ryan, minorizou a importância da manifestação dos democratas, classificando-a de "golpe publicitário". O líder dos democratas no Senado, Harry Reid, diz apoiar a proposta republicana mais limitada que foi desenhada para substituir aquela que o senador democrata Chris Murphy apresentou e que não foi aprovada.

O primeiro projeto-lei previa impedir que suspeitos de atividades terroristas que integram a lista de proibição de voos obtenham licenças de compra e porte de armas de fogo, prevendo ainda a extensão dos chamados 'background checks' às vendas online e às feiras de armas. Reagindo ao chumbo, Barack Obama acusou o Senado de "falhar ao povo americano", que na sua maioria quer mais controlos federais.

A proposta de substituição apresentada pela senadora republicana Susan Collins prevê apenas a proibição de venda de armas a um número limitado de pessoas suspeitas de atividades terroristas. "Apesar de ser um pequeno passo em frente, pelo menos é um passo em diante", declarou Reid na quarta-feira à noite.

A maioria dos legisladores democratas que Reid representa recusa-se a aceitar uma alteração tão limitada à lei, tendo ocupado a Câmara dos Representantes ao longo da madrugada, gritando "Vergonha!" aos que se opõem a maiores restrições às armas de fogo e entoando cânticos como "No Bill, No Break" ('Sem um projeto-lei não haverá intervalos', numa tradução livre).

De acordo com a CNN, 168 dos 188 democratas da câmara baixa do Congresso estão a participar no protesto, tendo levado consigo para o trabalho sacos-cama, almofadas, lençóis e doughnuts. Após os republicanos desligarem as câmaras de televisão que estavam a gravar o acontecimento, os democratas recorreram às aplicações de livestream Periscope e Facebook Live para que o protesto continuasse a ser transmitido aos cidadãos, no que vários canais de televisão dos EUA classificaram de acção "inédita".

Pelas 9h30 da manhã desta quinta-feira em Lisboa, 4h30 da madrugada em Washington DC, o "Huffington Post" avançou que a votação do novo projeto-lei na Câmara dos Representantes foi adiada para depois do feriado do Dia da Independência, a 4 de julho. Mesmo assim, os democratas continuam a ocupar a câmara sem darem mostras de cedência.

A discussão renovada sobre a posse de armas de fogo no país foi potenciada pelo ataque à discoteca Pulse, em Orlando, a 12 de junho, levado a cabo pelo norte-americano Omar Mateen, de 29 anos, e que resultou em 50 mortos e 53 feridos, naquele foi o pior tiroteio em massa da história dos EUA.