Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Amante de Omar Mateen diz que massacre de Orlando foi ato de vingança e não um atentado em nome do Daesh

  • 333

Omar Mateen, autor dos disparos na discoteca em Orlando, tinha 29 anos, nasceu em Nova Iorque e vivia na Florida

REUTERS

Homem que se identifica apenas como Miguel e que se assume como amante do atirador que matou 49 pessoas e feriu outras 53 numa discoteca gay a 12 de junho diz que Mateen se queria vingar da comunidade LGBT por ter sido exposto ao vírus da sida

Um homem que diz ter sido amante do atirador de Orlando deu uma entrevista à Univision na qual garantiu que Omar Mateen levou a cabo o ataque à discoteca Pulse como vingança por ter sido exposto ao VIH e não por qualquer afiliação ao Daesh ou a outro grupo extremista.

Na entrevista, o hispânico, identificado apenas como Miguel, explicou que conheceu Mateen através do Grindr, uma aplicação de smartphone para encontros gay, e que depressa percebeu que o norte-americano de 29 anos era um homem confuso que tinha dificuldades em lidar com a sua sexualidade e com o facto de o seu interesse por outros homens entrar em choque com a educação muçulmana que recebeu e com a homofobia do pai.

Desde o ataque à discoteca Pulse a 12 de junho, o pior tiroteio em massa da história dos EUA e que terminou com um balanço de 50 mortos, incluindo o suspeito, e 53 feridos, que tem aumentado a especulação sobre a possibilidade de Mateen ser gay ou bissexual. Segundo Miguel, Mateen terá tido encontros sexuais com dois porto-riquenhos, um dos quais com VIH positivo. Ao saber disso, Mateen fez testes clínicos e os resultados foram negativos, mas mesmo assim continuou com receios de ter sido infetado com o vírus da Sida, temendo que as análises não fossem precisas.

"O que me fez querer dizer a verdade é saber que ele não fez isto por terrorismo", disse Miguel na entrevista ao canal de televisão, com a cara tapada por uma máscara. "Na minha opinião, ele fez isto por vingança."

Antes do massacre, argumenta na mesma entrevista, Mateen parecia ser uma pessoa "adorável e doce" que gostava muito de ser abraçada e acarinhada e os dois mantiveram encontros num hotel mais de 20 vezes. Miguel diz que a primeira vez que conheceu o lado mais negro do atirador foi quando tentou tirar uma selfie a ambos na cama, altura em que ele o mandou pousar o telefone e lhe revelou que era casado e que tinha um filho.

As autoridades norte-americanas têm estado a revelar mais detalhes do ataque de 12 de junho, incluindo transcrições das conversas que Mateen manteve com a polícia de intervenção e com operadores do 911 durante as mais de três horas em que esteve barricado dentro da discoteca Pulse naquele dia.

Durante uma das conversas com a polícia, Mateen disse que estava a levar a cabo o ataque à comunidade LGBT naquele bar em nome de Abu Bakr al-Baghdadi, o líder do Daesh. Apesar de, na sequência do ataque, o Daesh ter reivindicado que Mateen era "um soldado do califado", os responsáveis pela investigação ao ataque dizem não haver provas de que o americano pertencesse a qualquer organização extremista.