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“Vou ser presidente do Governo”, garante Pedro Sánchez a quatro dias das eleições

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Pedro Sánchez, líder do PSOE

JAVIER LIZON/ EPA

Em entrevista ao “El País” antes das legislativas antecipadas do próximo domingo em Espanha, líder dos socialistas garante que não vai “vetar nenhuma força de mudança” e diz que “é inútil votar em Rajoy e em Iglesias”. Últimas sondagens antecipam cenário semelhante ao das eleições de 20 de dezembro, em que nenhuma força política alcançou maioria absoluta

O próximo domingo é o dia D para Espanha mas também para Pedro Sánchez, o líder do PSOE que foi convidado pelo Rei de Espanha a tentar formar uma coligação mas que não conseguiu atrair forças políticas suficientes para resolver o impasse gerado nas eleições gerais espanholas de 20 de dezembro, nas quais o PP de Mariano Rajoy foi o partido mais votado mas sem maioria para governar.

Por causa desse impasse, e perante a recusa do Podemos em integrar uma coligação liderada pelos socialistas juntamente com os centristas do movimento Cidadãos, foram convocadas novas eleições para 26 de junho — com as últimas sondangens de intenção de voto a anteverem um cenário igual ao de dezembro, em que nenhum partido vai alcançar uma maioria qualificada dos votos.

Há algumas semanas, Sánchez viu a sua vida dificultada, com os inquéritos de opinião a colocarem os socialistas em terceiro lugar, ultrapassados pelo PP em primeiro e pelo Podemos de Pablo Iglesias em segundo. Numa grande entrevista publicada esta quarta-feira pelo "El País", a quatro dias da ida às urnas, o líder do PSOE admite que o seu partido perdeu os jovens e que atraí-los "é o grande desafio" que os socialistas enfrentam.

"Hoje há uma brecha geracional" que aproxima os espanhóis mais jovens do movimento de esquerda liderado por Pablo Iglesias, diz Sánchez. "A transformação do Estado social criou desigualdades entre os jovens, cujas oportunidades ficaram muitas vezes limitadas pelos cortes na educação, na ciência, na investigação. A reforma laboral explora os nossos jovens com bolsas maquilhadas e contratos precários. O desafio do PSOE é dar uma resposta a essa desigualdade geracional, a essa quebra de expectativas."

Questionado sobre as sondagens que colocam o Podemos à frente do PSOE, Sánchez minoriza a questão, dizendo que dá a esses inquéritos de opinião "a credibilidade que merecem" e sublinhando que "os espanhóis tratam melhor o PSOE do que as empresas de sondagens". "É preciso olhar para elas e extrair conclusões. Ninguém vai governar sozinho, vai haver um câmbio e eu vou fomentar esse entendimento."

A entrevista parte logo do potencial cenário de ninguém ser um claro vencedor nas eleições. "Vamos ter um parlamento fragmentado. Ninguém vai poder governar sozinho e isso incapacita Mariano Rajoy como presidente do Governo. É inútil votar em Rajoy e é inútil votar em Iglesias, porque ele já demonstrou a sua incapacidade para negociar. Por isso acredito que o PSOE pode garantir mudança e entendimento."

Confrontado com uma pergunta direta sobre se será ele o presidente do próximo Executivo espanhol, Sánchez responde igualmente de forma direta e sem ponta de dúvidas: "Sim, claro. A 2 e a 4 de março Rajoy e Iglesias disseram-me que não no Congresso mas um terço dos espanhóis diz que sim ao PSOE. E portanto serei presidente do Governo. Mais do que nunca, o antídoto dos extremos é o PSOE."