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Referendo ao Brexit. “Têm de ter a certeza porque não há volta atrás na sexta-feira”

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Getty Images

No útimo grande debate televisivo antes da ida às urnas, Boris Johnson falou no “dia da independência” mas foi novamente acusado de mentir pelos políticos que apoiam a permanência do Reino Unido na União Europeia

Figuras proeminentes de um lado e de outro no referendo britânico à União Europeia trocaram acusações no último debate televisivo antes da ida às urnas amanhã, um que foi transmitido em direto a partir da arena Wembley na terça-feira à noite, um dia antes de terminar oficialmente a campanha para a consulta.

Durante quase duas horas de Grande Debate na BBC, três políticos a favor da saída do Reino Unido e três que defendem a permanência do país no bloco europeu abordaram as grandes questões em torno desta consulta, como a imigração, a economia e a soberania face às instituições comunitárias.

Ao longo do frente-a-frente perante uma audiência de seis mil pessoas, a líder dos conservadores escoceses, Ruth Davidson, apontou repetidamente o dedo ao ex-autarca de Londres, o conservador Boris Johnson, e à campanha Leave por "mentirem" continuamente aos eleitores — com Johnson a acusar a campanha a favor da permanência (Remain) de continuar a tratar a população do país com condescendência.

Ladeada pelo sucessor de Johnson na autarquia da capital, o trabalhista Sadiq Khan, e por Frances O'Grady, a secretária-geral da federação sindical Trades Union Congress, Davidson fez as alegações finais a favor da UE, sublinhando aos eleitores que têm de ter "100% de certeza" do que querem porque "não há volta atrás na sexta-feira de manhã". Antes disso, Khan acusou a campanha Leave de ser não um "projeto de medo" mas um "projeto de ódio".

Ao lado da atual ministra da Energia, Andrea Leadsom, e da deputada trabalhista Gisela Stuart, Johnson concluiu os argumentos a favor do Brexit dizendo que "quinta-feira pode ser o dia da independência do nosso país", sob uma ovação dos que, na assistência, apoiam a saída da UE.

Esta quarta de manhã, na véspera da antecipada votação, mais de 1280 empresários, incluindo diretores de 51 empresas cotadas na FTSE 100, assinam uma carta aberta no jornal "Times" a favor da UE. Pelo contrário, os diretores da mais antiga sociedade de advogados do Reino Unido, a Tate & Lyle Sugars, enviaram um memorando aos seus funcionários a defender o Brexit, onde declaram que deixar a UE traria benefícios ao seu negócio.

Pela primeira vez, quatro ex-líderes vivos da Escócia e a atual primeira-ministra, Nicola Sturgeon, uniram-se através de um comunicado conjunto no qual dizem que um voto a favor da permanência na UE amanhã é "vital para o emprego e o investimento".

Na terça à noite, em entrevista ao programa Newsnight da BBC, um conselheiro do Presidente da Turquia criticou os dois lados do referendo, apontando o dedo a David Cameron por provavelmente não vir a apoiar a adesão do país à UE e à campanha Leave por usar a perspetiva dessa adesão como "um álibi" para angariarem apoios ao Brexit.

Esta quinta-feira, as urnas abrem em todo o território do Reino Unido às 7h da manhã e encerram às 22h. É esperado que os primeiros resultados parciais da votação, dos territórios de Gibraltar e das Ilhas Scilly, sejam anunciados pela meia-noite e que a totalidade dos votos esteja contabilizada ao início da manhã de sexta.