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Quénia sofrerá abalo económico caso o Reino Unido saia da União Europeia

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SIMON MAINA/AFP/Getty

Perdas comerciais, pressão cambial e fuga de capitais são as ameaças mais imediatas à saúde da maior economia da África Oriental

Cristina Peres

Cristina Peres

Jornalista de Internacional

Economistas comentam que o Quénia é previsivelmente um dos países em maior risco de ser abalado pelos choques económicos que decorrerão do resultado do referendo no Reino Unido, caso o país vote sair da União.

A maior economia da África Oriental seria afetada pela “onda de choque”, tal como outros países, caso o país abandone os 28, garantiu esta quarta-feira ao diário queniano “Daily Nation” Patrick Njoroge, o governador do Banco Central do Quénia.
O também ex-economista do Fundo Monetário Internacional referia ao mesmo tempo que o impacto do voto desta quinta-feira poderá ser equivalente ao da crise financeira de 2008. A particular vulnerabilidade do Quénia prende-se com a eventuais perdas comerciais, a pressão cambial e a fuga de capitais provocada pela ansiedade que se fará sentir nos mercados globais.

“Qualquer voto para a 'saída' é amplamente reconhecido como neativo para o apetite de risco global”, disse ao “Daily Nation” Razia Khan, chefe da investigação para África do Standard Chatered, acrescentando o risco de pressão que corre a moeda, o shilling queniano, em caso de subida do dólar americano. Esta subida provocaria inflação e aumento dos preços num país essencialmente importador como é o Quénia.

A saída do Reino Unido da UE seria “negativa para todos os mercados emergentes e de fronteira”, o Quénia incluído, diz Khan. A maior ameaça pende sobre o comércio, uma vez que a Holanda e o Reino Unido são os dois maiores mercados das exportações do Quénia. Nos primeiros quatro meses de 2016, os Estados-membros da União absorveram 18,3% do total de exportações de Nairobi.

O mesmo jornal lembra, no entanto, que a ansiedade vivida por Nairobi pode ser contrabalançada pelo facto de os principais investimentos estrangeiros no país virem dos Estados Unidos e da África do Sul e não de Londres.