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Maduro avisa venezuelanos que não duvidará em radicalizar a revolução

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INTI OCON/AFP/Getty

Chefe de Estado venezuelano alerta que não hesitará em avançar com “medidas mais radicais” para radicalizar a “revolução bolivariana”, caso a oposição abra as portas a uma intervenção no país

O Presidente venezuelano acusou esta quarta-feira a oposição de usar a Organização de Estados Americanos para "ativar" uma intervenção no país, advertindo que não hesitará em radicalizar a revolução se continuarem a negar-se a dialogar com o executivo.

"Se algum dia as forças da direita imperial aprovarem, nalguma instância (internacional), um plano para expulsar a Venezuela, para suspender a Venezuela, para excluir a Venezuela, ou para intervir na Venezuela, tenham a certeza de que não me tremerá o pulso para tomar as medidas mais radicais para radicalizar a revolução bolivariana", disse Nicolás Maduro.

A advertência do chefe de Estado aconteceu depois de a oposição venezuelana instar, esta terça-feira, a Organização de Estados Americanos a ativar a Carta Democrática Interamericana para a Venezuela, sublinhando que não há diálogo no país e que a crise está a agravar-se.

Esta quarta-feira, durante um encontro com afrodescendentes, em Caracas, Nicolás Maduro denunciou que "a direita pretende ativar de maneira teimosa e cruel um plano de intervenção contra a Venezuela".

"Estou obrigado a chamar a uma retificação e a que se sentem a dialogar pela paz do povo. Já basta de insensatez, basta de violência, basta de conspirações. Na Venezuela vai haver paz com vocês, sem vocês, ou contra vocês se for necessário. Paz é o meu lema, paz é a minha bandeira", disse.

Representantes de 34 países que fazem parte da Organização de Estados Americanos preveem reunir-se na quinta-feira para determinar se na Venezuela houve alguma rutura da ordem constitucional, com base num relatório apresentado pelo secretário-geral daquele organismo, José Almagro, que pediu, recentemente, a ativação da Carta Democrática Interamericana.

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