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Jordânia põe em causa abrigo e ajuda a refugiados por causa de atentado suicida

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Getty Images

Um dia depois de seis soldados jordanos terem morrido num atentado suicida na fronteira com a Síria, governo da Jordânia anuncia encerramento das fronteiras com o país e com o Iraque e diz que nenhum novo campo de refugiados vai ser construído nem os existentes serão alargados para acomodar os que fogem da guerra

A Jordânia encerrou esta quarta-feira as fronteiras com a Síria e com o Iraque e declarou as duas áreas "zonas militares" de acesso interdito a civis, um dia depois de seis soldados terem perdido a vida num atentado suicida com uma carrinha armadilhada que veio de um campo de refugiados sírio.

Por causa do ataque, o primeiro a atingir a Jordânia desde o início da guerra civil na Síria em 2011, o governo do país avisou ainda que nenhum novo campo de refugiados vai ser criado nem os que já existem vão ser alargados por causa do sucedido.

Na terça-feira de manhã, uma carrinha cheia de explosivos foi conduzida em alta velocidade até um posto militar da Jordânia, alegadamente vinda de um campo de refugiados na fronteira com a Síria, provocando as seis baixas nas forças jordanas.

"Qualquer veículo ou movimento de pessoal dentro destas áreas [fronteiriças] sem coordenação prévia será tratado como alvo inimigo e gerido com firmeza e sem clemência", disse o Exército da Jordânia em comunicado, explicando que essas ordens já estão em vigor.

À BBC, o ministro jordano da Informação, Mohammed Momani, disse que as forças armadas enviaram avisos nos últimos meses aos militantes, incluindo aos membros do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), que vivem escondidos nas fronteiras com a Síria e o Iraque. Os jordanos, disse o responsável governamental, estão zangados com a tentativa de minar a segurança e estabilidade do país. e que foi por causa disso que as autoridades jordanas decidiram suspender toda a ajuda humanitária naquela área.

Ativistas de Direitos Humanos no terreno acusam as autoridades jordanas de terem suspendido a distribuição de ajuda humanitária naquela área, avisando que isso vai pôr em risco as vidas dos que fogem da guerra. As dezenas de milhares de sírios que continuam a tentar entrar na Jordânia estão atualmente numa zona remota do deserto sem perspetivas de futuro.

No ano passado, e de acordo com contas apresentadas pelo Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) na segunda-feira, Dia Internacional dos Refugiados, a Jordânia deu asilo a 664 mil e 118 pessoas, garantindo abrigo temporário em campos improvisados a outras 689 mil.