Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Estratégia dos EUA para derrotar o Daesh na Líbia “não faz sentido”

  • 333

ABDULLAH DOMA/GETTY

Ouvido pelo Comité de Serviços Armados do Senado, o general que Barack Obama nomeou para comandar as tropas dos EUA em África reconhece que a campanha de bombardeamentos a bastiões do autoproclamado Estado Islâmico no país não devia ter sido suspensa e que é necessário definir uma nova estratégia para derrotar o grupo na região

Na sua audiência de confirmação como novo chefe do Comando África, o homem que Barack Obama escolheu para liderar as forças norte-americanas no continente disse esta terça-feira ao Comité de Serviços Armados do Senado que a atual estratégia norte-americana de não bombardear o autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) na Líbia "não faz sentido", e que é preciso fazer mais para se destronar o afiliado do grupo naquele país do norte de África.

Questionado pelo diretor desse comité, o senador John McCain, sobre se os EUA têm atualmente uma estratégia para a Líbia, o tenente-general Thomas Waldhauser respondeu não ter conhecimento de nenhuma. Confrontado pelo senador Lindsey Graham sobre se seria "sensato" que ele, Waldhauser, pudesse ter autoridade para ordenar ataques aéreos contra o Daesh sem ter de pedir a aprovação da Casa Branca, o general respondeu que sim e que tal "certamente contribuiria para o que [os EUA] querem alcançar na Líbia" e para garantir que o grupo jiadista, que é uma "ameaça iminente aos EUA", não avança no terreno.

Em reação às respostas cândidas e diretas do novo chefe do comando dos EUA em África, o porta-voz do Pentágono, Peter Cook, disse numa conferência de imprensa que as forças armadas norte-americanas "não tomam de ânimo leve a decisão de levar a cabo ataques militares" na Líbia. "No passado estivemos dispostos a levar a cabo bombardeamentos contra a liderança do ISIL na Líbia e estamos preparados para voltar a fazê-lo no futuro. Mas esta é uma situação em que o [novo] Governo [líbio] ainda se está a instalar. Está a mostrar progresso e as forças militares alinhadas com o Governo [líbio] também estão a alcançar progressos, particularmente na luta contra o ISIL em Sirte."

Sobre as declarações de Waldhauser de não haver uma estratégia de momento para fazer frente aos cerca de 8000 militantes do Daesh já instalados no país, Cook disse que o que o general reconheceu é que "a situação neste momento é complicada" e que "a coisa mais importante em termos das nossas políticas, e acreditamos nós para as políticas da região, é que o Governo [líbio] se forme e se instale".

Em maio, os EUA e outros países ocidentais e do Médio Oriente sinalizaram a sua intenção conjunta de armar o novo governo de unidade nacional que foi criado no final de 2015 sob mediação do Conselho de Segurança da ONU, para dar resposta às lutas internas que estalaram em 2011, após a deposição de Muammar Kadhafi, e que mergulharam a Líbia num cenário de caos e violência generalizada. Esta quarta-feira, as forças armadas que apoiam esse governo interino anunciaram os mais importantes ganhos na guerra contra o Daesh em Sirte desde o início dos combates há um mês.