Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

É “impensável” a Turquia integrar a União Europeia, diz Sarkozy a Merkel

  • 333

KENZO TRIBOUILLARD / AFP / Getty Images

Num encontro com a chanceler alemã em Berlim, no qual o referendo britânico à UE foi incontornável, o ex-Presidente de França disse que “a Europa precisa de liderança, de tomar iniciativas e de novas ideias”

Nicolas Sarkozy declarou na terça-feira à chanceler alemã que é "impensável" uma adesão da Turquia à União Europeia, uma possibilidade que o aspirante a Estado-membro conseguiu reavivar sob o controverso acordo de repatriamento de refugiados alcançado em março com Bruxelas.

Num encontro com Angela Merkel em Berlim esta terça-feira à tarde, o ex-Presidente de França alinhou com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, na descrença de que a Turquia algum dia venha a fazer parte do bloco. A potencial adesão turca foi um dos argumentos mais usados pela campanha a favor do Brexit antes do referendo ao futuro do Reino Unido dentro ou fora da UE, que acontece já amanhã, quinta-feira. Depois dessa reunião, Sarkozy disse ainda aos jornalistas que "a Europa precisa de liderança, de tomar iniciativas e de novas ideias".

Na semana passada, no último debate televisivo em que Cameron participou antes da consulta popular, o líder britânico foi questionado por um membro da audiência sobre se o Reino Unido vai vetar a adesão da Turquia à UE caso permaneça no bloco regional. A sua resposta foi que a questão da adesão turca é "o argumento mais falacioso" de todos os que a barricada pró-Brexit apresentou ao longo da campanha e que tal "não vai acontecer durante décadas".

Esta terça-feira, no programa Newsnight da BBC, um conselheiro do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou os dois lados do referendo por estarem a usar o país para atraírem eleitores — dizendo que Cameron provavelmente nunca vai apoiar a adesão da Turquia à UE e que os que defendem o Brexit têm usado os turcos "como álibi" para convencerem a população a sair do bloco.

A Turquia apresentou o seu primeiro pedido formal de adesão em abril de 1987, ainda a UE era a Comunidade Económica Europeia (CEE). Oito anos depois, o país assinou um acordo aduaneiro com a UE e, em 1999, foi reconhecido oficialmente como candidato. As negociações formais para a plena adesão começaram em 2005 e já na altura os analistas previam que levaria pelo menos dez anos até esse processo estar concluído. Volvidos 11 anos, e depois de as negociações terem ficado em suspenso nos últimos anos, a Turquia conseguiu reavivá-las este ano, pressionando a Comissão Europeia a aceitar como condição a reabertura do processo de adesão para que o país aceite receber de volta todos os refugiados e requerentes de asilo que entrem de forma clandestina na UE.