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Nem festa da música, nem manifs. A França com os nervos à flor da pele

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Esta tarde, em Marselha, verificaram-se confrontos entre adeptos antes do jogo da Polónia e da Ucrânia

WOLFGANG RATTAY / Reuters

Segundo o Governo de Paris, a segurança e o estado de emergência antiterrorista não são compatíveis com festas e manifestações. Mas o Euro 2016 continua

Nem festa da música, esta noite, em duas grandes praças de Paris e em toda a cidade de Marselhe, nem manifestações sindicais contra a reforma das leis laborais, na próxima quinta-feira… Em nome da segurança, as autoridades francesas proibiram a tradicional festa da música nas simbólicas praças de la Republique e de Denfert-Rochereau, na capital francesa, e adiaram igualmente os principais concertos previstos para Marselha.

Nunca se viu coisa assim em França desde que a festa da música foi criada em França por um Governo socialista, nos anos 1980, com acesso gratuito e como sendo um emblema da juventude, da criação francesa e da liberdade.

Nalguns dos locais onde certos concertos se mantêm, as festas serão completamente controladas pela polícia, com entrada prevista apenas para “pré-inscritos”, que terão de exibir braceletes especiais distribuídas nos últimos dias pela organização.

De acordo com o que se depreende, a segurança e o estado de emergência antiterrorista não são compatíveis com festas e manifestações e, por esse motivo, anda neste momento muita gente com os nervos à flor da pele, tanto em Paris como noutras cidades francesas.

“Proíbam também o futebol”

Além da juventude e de comerciantes, que defendem a festa da música para assinalar em França o início do verão, diversos sindicatos também protestam mas, estes, porque as manifestações previstas para a próxima quinta-feira, em Paris, foram igualmente proibidas pelas autoridades.

Em nome igualmente da segurança – e porque os desfiles sindicais contra a nova lei do trabalho têm terminado ultimamente sempre com cenas de violência – o Governo apenas permite concentrações “estáticas”, o que os sindicatos envolvidos não aceitam.

As proibições, num país onde boa parte da sua população é particularmente orgulhosa da sua vivencia da liberdade, foram mal recebidas.

Esta noite, a França vai continuar em estado de alerta máximo até porque o Europeu de futebol continua a decorrer com incidentes. Já esta tarde, em Marselha, verificaram-se confrontos entre adeptos antes do jogo da Polónia e da Ucrânia.

“Se fosse pela pancada, deviam proibir também o futebol, porque (os jogos) também acabam em pancada e o contribuinte que pague os estragos e a segurança reforçada para a festa”, comenta no Facebook a jovem escritora lusodescendente Cristina Branco, residente em Paris.