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Governo da China quer reduzir consumo de carne em 50% até 2030

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Carne de rato era vendida como de carneiro na China

Marcos Brindicci/REUTERS

Novas orientações dietéticas do Estado chinês poderão reduzir emissões de dióxido de carbono em mil milhões de toneladas nos próximos 14 anos bem como taxas de obesidade e diabetes no país

O Governo chinês apresentou esta semana planos para reduzir o consumo de carne pelos seus cidadãos em 50% nos próximos 14 anos, no que os ativistas de defesa do ambiente dizem ser um grande passo no combate às alterações climáticas e ao aquecimento global.

Sob as novas orientações dietéticas delineadas pelo Ministério da Saúde da China, cada um dos 1300 milhões de habitantes é aconselhado a consumir apenas entre 40 e 75 gramas de carne por dia. O Governo chinês divulga novos conselhos de alimentação a cada dez anos para melhorar a saúde pública mas, desta vez, o plano poderá ainda resultar na redução de emissões de gases com efeitos de estufa em mil milhões de toneladas até 2030.

Numa série de novos anúncios patrocinados pelo Estado e que contam com a participação de celebridades de Hollywood, como o ator Arnold Schwarzenegger e o realizador James Cameron, o Partido Comunista Chinês encoraja os cidadãos a consumirem menos carne animal para ajudarem o ambiente.

A nível global, o consumo de carne de vaca, galinhas, porcos e outros animais é responsável por 14,5% das emissões de gases com efeito de estufa, mais do que o total de emissões atribuído ao sector dos transportes. A criação de gado é responsável pela emissão de metano, para além das enormes quantidades de carbono que são libertadas na atmosfera durante a atividade pecuária por causa dos fertilizantes utilizados.

“Através desta alteração no estilo de vida, esperamos que a indústria pecuária se transforme e que as emissões de carbono sejam reduzidas”, diz Li Junfeng, diretor-geral do Centro Nacional Chinês para a Estratégia de Combate às Alterações Climáticas e Cooperação Internacional. “Combater as alterações climáticas envolve julgamentos científicos, decisões políticas, o apoio das empresas e, em última instância, depende do envolvimento do público em geral para alterar os comportamentos de consumo na China. Cada um de nós tem de acreditar no conceito de baixas emissões de carbono e lentamente adaptar-se a ele.”

Em tempos um deleite raro para a maioria dos chineses, a carne tornou-se num dos alimentos mais consumidos pela população a par da sua emergência como potência económica global. Em 1982, cada chinês consumia em média 13 quilos de carne por ano e a carne de vaca era classificada como “carne dos milionários”.

Atualmente, o consumo médio de carne por pessoa corresponde a 63 quilos por ano, com especialistas a anteciparem que, sem alterações nessa tendência, cada chinês irá consumir quase 100 quilos por ano até 2030. As novas orientações estatais pretendem reduzir o consumo médio anual por pessoa para entre 14 e 27 quilos por ano.

Atualmente, a China é responsável por 28% do total de consumo mundial de carne, incluindo metade da carne de porco — ainda assim, metade do consumo médio de carne por pessoa em países como os Estados Unidos e a Austrália.

Num estudo recente da WildAid, a organização avisou que o consumo previsto de carne na China vai acrescentar 233 milhões de toneladas de gases com efeitos de estufa à atmosfera por ano, para além de representar riscos no fornecimento de água no país, cujos rios e lençóis freáticos estão já a sofrer com enormes níveis de poluição.

Nessa investigação, os especialistas deixaram o alerta de que, sem alterações nas tendências de consumo de animais, o país terá de lidar com crescentes problemas de saúde, nomeadamente a diabetes, que afeta cerca de 100 milhões de chineses.