Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

George Soros junta-se à barricada antiBrexit e avisa que sair da UE ameaça a libra e o emprego

  • 333

GETTY

O famoso empresário húngaro-americano que enriqueceu a apostar contra a libra esterlina em 1992 diz que o preço da moeda britânica vai cair a pique se uma maioria da população votar contra o bloco europeu no referendo desta quinta-feira

George Soros, o investidor húngaro nacionalizado americano que fez a sua fortuna a investir contra a libra esterlina na famosa quarta-feira negra em 1992, avisou esta terça-feira, a dois dias do referendo ao futuro do Reino Unido na União Europeia, que a eventual saída do bloco europeu vai ter "sérias consequências" para o emprego e para as finanças do país.

Num artigo de opinião publicado esta manhã no "The Guardian", um dos maiores contribuidores da campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos diz que a libra vai "cair vertiginosamente" se a barricada pró-Brexit vencer a consulta popular desta quinta-feira, uma queda de pelo menos 15% mas que poderá ultrapassar os 20%, ficando abaixo dos 1,15 dólares contra os atuais 1,46 dólares.

Sair da UE não só afetaria o preço da moeda britânica como "teria igualmente um impacto imediato e dramático nos mercados financeiros, no investimento, nos preços e nos empregos", aponta o empresário, que vem engrossar a hoste de políticos, celebridades e de milionários que são contra o Brexit. "Antecipo uma desvalorização maior e mais disruptiva do que a de 15% que ocorreu em setembro de 1992, quando eu fui suficientemente sortudo para alcançar lucros substanciais para os investidores no meu hedge fund."

Nesse ano, a economia da Grã-Bretanha sentiu os duros efeitos de ter ficado de fora do Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio (ERM) após a aprovação do Tratado de Maastricht com vista à futura implementação da moeda única na Europa. "Os eleitores britânicos estão a subestimar os verdadeiros custos do Brexit", avisa o milionário. "Muitos acreditam que votar para sair da UE não vai ter efeito na sua posição pessoal financeira, mas isso é um pensamento ilusório."

Argumentando que 60 anos de experiência na área do investimento lhe ensinaram que os únicos vencedores são os especuladores financeiros, Soros avisa no mesmo artigo que a capacidade do Banco de Inglaterra responder a uma eventual recessão ou à queda dos preços domésticos é limitada, já que muitos instrumentos monetários existentes já foram usados para resgatar o Reino Unido da crise financeira mundial. "Hoje, há forças especulativas nos mercados muito mais fortes e mais poderosas [do que em 1992], que estão ansiosas por explorar quaisquer maus cálculos pelo Governo e ou pelo eleitorado britânico. O Brexit tornaria algumas pessoas muito ricas, mas a maioria dos eleitores ficaria consideravalmente mais pobre", escreve.

Em reação ao artigo, a campanha Vote Leave, que defende a saída da União Europeia, voltou a apontar que o Reino Unido tem muito mais possibilidades de ser próspero fora do bloco. "A UE é dispendiosa, burocrática e cega ao impacto que já teve nos salários das pessoas e nas elevadas contas de eletricidade", disse Matthew Elliot, diretor da campanha, acusando Soros de querer dar mais poderes a Bruxelas.

A libra tem sido duramente castigada ao longo da campanha antes do referendo marcado para esta quinta-feira, com os investidores a tentarem especular qual será o resultado da votação. Depois de uma semana de enormes quedas no valor da moeda, na passada sexta-feira o cenário melhorou após analistas apontarem que o brutal homicídio da deputada trabalhista pró-imigração Jo Cox às mãos de um nacionalista xenófobo poderia afastar muitos eleitores do Brexit.

Esta segunda-feira, na sequência dessa tragédia, a libra alcançou os maiores ganhos registados desde 2009, perante novas sondagens a apontarem que os que são a favor da permanência na UE estão a ganhar momentum na reta final antes da consulta popular.