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Jo Cox homenageada pelos deputados britânicos

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WILL OLIVER/EPA

Pouco antes da cerimónia realizada na igreja de Santa Margarida, a capela oficial do Parlamento, os deputados recordaram a deputada assassinada. David Cameron recordou-a como “uma voz de compaixão” e o líder trabalhista, Jeremy Corbyn, considerou a sua morte “um ataque a toda a nossa democracia”

Pedro Cordeiro, em Londres

"Quem nos dera não estar aqui e que o sucedido na quinta-feira não tivesse acontecido." Foi com estas palavras que o oficiante iniciou, esta tarde, a cerimónia religiosa de homenagem à deputada Jo Cox, assassinada em Birstall, no norte de Inglaterra, no passado dia 16.

Enquanto os deputados entravam para a igreja de Santa Margarida, ao lado da Abadia de Westminster e capela oficial do Parlamento, dezenas de pessoas perfilavam-se a assistir, umas porque queriam também honrar a parlamentar trabalhista, outras levadas pela curiosidade, como um casal de turistas italianos que se interrogava sobre o significado da aglomeração.

Havia quem tentasse identificar as figuras mais conhecidas que iam entrando. Entre elas contavam-se o primeiro-ministro David Cameron, o líder trabalhista Jeremy Corbyn e o ex-autarca de Londres, Boris Johnson. "Eles é que têm culpa de ela ter morrido", protestava, destoando da circunspeção geral, um homem de idade. "O tom que esta campanha atingiu! Às tantas era melhor os deputados nem dizerem as suas opiniões", acrescentou, afastado com a agressividade das fações adversárias na campanha para o referendo do dia 23.

Cox apoiava a permanência do Reino Unido na União Europeia e foi morta com três tiros e sete facadas, à saída de um encontro com eleitores do círculo que representava. O suspeito homicida, Thomas Mair, gritou várias vezes "Britain First!" durante o ato. Ligado a associações racistas e de extrema-direita, não apreciava decerto o trabalho de Cox em defesa dos refugiados. Em tribunal, quando lhe perguntaram o nome, respondeu: "Morte aos traidores".

Pouco antes da cerimónia, os deputados recordaram a deputada assassinada aos 41 anos. A sessão foi convocada especialmente, interrompendo a pausa nos trabalhos causado pela campanha. Cameron evocou "uma voz de compaixão, cujo espírito irrepreensível e energia indomável iluminaram as vidas de todos os que a conheciam e salvaram as vidas de muitos que ela nunca conheceu". Antes de ser eleita, há pouco mais de um ano, Cox trabalhava com organizações humanitárias, tendo-se dedicado, nomeadamente, aos refugiados da Síria e do Darfur.

O primeiro-ministro cedeu a primazia nas intervenções ao líder trabalhista, Corbyn, que considerou o homicídio da sua camarada "um ataque a toda a nossa democracia". Com o viúvo e os filhos de Cox na assistência, apelou a uma "mudança na política". "Toleremos um pouco mais e condenemos um pouco menos", pediu.

Durante a sessão, em que intervieram deputados de todos os partidos, o lugar que a deputada costumava ocupar estava assinalado por uma rosa branca (símbolo da sua Yorkshire natal) e outra encarnada. Seguiu-se cerimónia na Câmara dos Lordes.

  • Quem é o principal suspeito da morte de Jo Cox?

    O britânico Thomas Mair é o presumível autor do assassinato de Jo Cox, deputada do Partido Trabalhista. É descrito pelos vizinhos como um homem reservado e educado, que prestava trabalho voluntário e que adorava jardinagem. Mas aparentemente também era defensor de ideais neonazis