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Investigadores portugueses contra o Brexit: seria “um desastre”

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JUSTIN TALLIS / AFP / Getty Images

“Eu acho que a ciência e a investigação neste país só sobrevivem à custa de uma série de financiamentos dados pela UE”, diz Caetano Reis e Sousa, imunólogo e líder de grupo no instituto britânico Francis Crick

Uma saída britânica da União Europeia seria "um desastre" para a ciência e a investigação no Reino Unido, não só em termos financeiros, mas também humanos, advertem investigadores portugueses no país.

Caetano Reis e Sousa, imunólogo e líder de grupo no instituto Francis Crick, mostra-se "horrorizado com a possibilidade de os ingleses votarem para sair da UE", cenário, que, não tem dúvida em afirmar, "seria um desastre profundo para a ciência neste país".

O investigador lamenta que muitas das discussões durante a campanha se tenham centrado mais na elevada contribuição de dinheiro público britânico para o orçamento europeu, cerca de 18 mil milhões de libras (23 mil milhões de euros), ao qual é, contudo, subtraída cerca de metade por causa dos subsídios para agricultura e desenvolvimento regional e apoio a empresas, e por causa do reembolso conquistado por Margaret Thatcher em 1984.

"Mas em ciência é exatamente o contrário, nós recebemos mais do que pagamos. Logo aí, a balança de pagamentos está a nosso favor. Eu acho que a ciência e a investigação neste país só sobrevivem à custa de uma série de financiamentos dados pela UE, sobretudo o European Research Council [Conselho Europeu de Investigação]", afirma à agência Lusa.

O presidente do Instituto Crick e antigo presidente da Royal Society, Paul Nurse, indicou que o Reino Unido recebeu 8,8 mil milhões de euros desde 2007 até 2013 e assinou uma carta com outros 12 cientistas britânicos distinguidos com prémios Nobel, incluindo Peter Higgs, alertando para o "risco" da 'Brexit' para a ciência no Reino Unido, juntando-se a um aviso no mesmo sentido do astrofísico Stephen Hawking.

Carlos Caldas, professor e investigador em oncologia do Instituto Cancer Research em Cambridge, também usa o termo "desastre" para descrever a potencial chamada Brexit, revelando que um corte do financiamento europeu afetará diretamente um grande pacote conquistado recentemente.

"Pessoalmente temo pelo que poderá acontecer com o meu European Research Council Advanced Grant que acabei de receber – só é ativada em outubro – e com as múltiplas bolsas Horizonte 2020 a que não poderei continuar a concorrer", diz à Lusa.

Mas a saída poderá ter outras consequências, acrescenta: "Cientistas no Reino Unido não poderão pertencer a painéis de revisão de ciência na União Europeia e a circulação de jovens cientistas será mais difícil".