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“Bête Noire” do Brasil joga a última cartada

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Eduardo Cunha

FERNANDO BIZERRA JR. / EPA

Eduardo Cunha, o político mais impopular do Brasil, abre o jogo e convocou uma reunião com apoiantes antes da sua cada vez mais previsível destituição como deputado

Depois de perder três ministros em menos de um mês, o presidente interino Michel Temer enfrenta esta semana uma nova prova de fogo: o deputado suspenso Eduardo Cunha convocou uma reunião com os seus apoiantes e prometeu assumir oposição ao governo interino.

Até agora aliado de Temer, Cunha é considerado o principal arquiteto do processo de destituição de Dilma Rousseff.

Com um processo de destituição que se arrasta desde outubro de 2015, a grande incógnita é o que Eduardo Cunha vai dizer à centena e meia de deputados que conta o seu “exército” parlamentar.

Será que pela enésima vez vai insistir na sua inocência, mesmo depois das autoridades suíças terem confirmado várias contas em seu nome e da Polícia Federal dizer que em numa delas depositou pelo menos 5 milhões de dólares de subornos?

Ou será que vai apresentar a sua demissão da presidência da Câmara dos Deputados, como a imprensa brasileira adiantou durante o fim de semana, citando fontes próximas?

A resposta a estas questões só será conhecida depois da reunião marcada por Cunha para esta tarde no Hotel Nacional. Incógnita é também a contagem de espingardas que o deputado suspenso poderá fazer, quando ele próprio já admite que a sua destituição é mais do que provável.

Ao perder o mandato de deputado Cunha deixa de ter foro privilegiado e os casos da Operação Lava Jato onde já é réu serão transferidos para o juiz Sérgio Moro, que é muito mais célere com o andamento dos processos de que o Supremo Tribunal Federal.

O terror da denúncia

A possibilidade de Cunha negociar uma “delação premiada” é agora a principal dor de cabeça de Michel Temer e do PMDB. O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, pediu não só a prisão de Cunha, mas também de outros notáveis do partido como o presidente do Senado, Renan Calheiros, do ex-ministro e presidente do PMDB Romero Jucá e do ex-presidente do Brasil, José Sarney.

Não muito calmos também deverão estar os 150 parlamentares do “centrão” - grupo que além do PMDB inclui o DEM, o PP e o PR, entre outros – depois do ex-presidente da câmara dos deputados ter anunciado que não cairia só.

Cunha tem que entregar o recurso na Comissão de Ética do parlamento até à próxima quinta-feira, dia 23, depois desta comissão ter aprovado o processo de destituição para ser votado em plenário.

Mas na véspera, quarta-feira, o Supremo Tribunal deverá decidir abrir a segunda ação criminal contra Eduardo Cunha. Mais de oito meses de manobras dilatórias por parte de Cunha, o seu reinado parece ter chegado ao fim. O que ainda não se sabe é se é o Supremo Tribunal que o vai prender ou o juíz Sérgio Moro?.