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Internacional

65 milhões: nunca houve tantos refugiados no mundo

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Elisabete Maisão

ONU alerta para “clima de xenofobia” que tomou conta da Europa perante a maior crise humanitária a atingir o continente desde a II Guerra Mundial, apesar de 86% do total de refugiados e deslocados internos estarem noutros países. De acordo com a organização, mais de metade destas pessoas são oriundas da Síria, do Afeganistão e da Somália

Ainda 2015 não tinha acabado e o número de pessoas obrigadas a abandonar as suas casas por causa de conflitos em todo o mundo já tinha atingido um recorde. Mas depois de mais de cinco milhões terem saído das suas cidades ou países ao longo do último ano, esse número aumentou ainda mais, com a ONU a revelar esta segunda-feira, no Dia Mundial do Refugiado, que neste momento há 65,3 milhões de pessoas deslocadas — o correspondente a uma em cada 113 pessoas do planeta, de acordo com a estimativa mais recente da agência da organização para os Refugiados (ACNUR).

No seu relatório anual divulgado esta manhã, a ACNUR aponta que é a primeira vez que o número de refugiados e requerentes de asilo em todo o mundo ultrapassa a barreira dos 60 milhões. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) diz que, só no ano passado, mais de um milhão e 11.700 pessoas chegaram à Europa pelo mar, com outros grupos de Direitos Humanos a apontarem que esse número será ainda mais alto. Por terra chegaram pelo menos 35 mil pessoas em busca de ajuda no continente.

A par do balanço atualizado, a ACNUR sublinha preocupações com o crescente "clima de xenofobia" na Europa perante a maior onda de refugiados e requerentes de asilo a que o continente já assistiu desde a II Guerra Mundial. Isto apesar de apenas 14% do total de refugiados terem procurado refúgio na União Europeia, contra 86% que neste momento estão albergados em países de baixos e médios rendimentos fora do bloco regional.

De acordo com cálculos da agência da ONU sobre os novos pedidos de asilo apresentados em 2015, mais de metade dos 65,3 milhões de refugiados são sírios, afegãos e somalis. A maioria das pessoas de nacionalidade síria atualmente na Turquia — o maior país de acolhimento em todo o mundo, que neste momento alberga mais de 2,5 milhões de pessoas — integram um programa temporário de apoio a refugiados que as exclui da contagem de requerentes de asilo.

À Turquia juntam-se o Paquistão e o Líbano no pódio de países que mais refugiados acolheram temporariamente em 2015. Ao longo do ano, a Alemanha voltou a encabeçar a lista de países que mais pedidos de asilo aceitou, seguida dos Estados Unidos e da Suécia.