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Internacional

Violação coletiva no Brasil gera sete acusações

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MIGUEL SCHINCARIOL

A adolescente de 16 anos que foi violada, no passado dia 22 de maio, por mais de 30 homens, num morro do Rio de Janeiro, vê agora chegar ao fim a fase de inquérito. Resultado: sete pessoas foram indiciadas: cinco por violação, e duas por divulgação das imagens nas redes sociais.

Há algo de profundamente animalesco numa violação coletiva. Uma pessoa deixa de ser pessoa. Um homem deixa de ser um homem, e passa a ser um macho desgovernado com o cio, que nenhum ímpeto ou racionalidade consegue travar. Uma mulher deixa de ser uma mulher e passa a ser uma fêmea, um objeto existente para ser usado (e abusado) por uma alcateia de bichos. Estamos mais "habituados" (a palavra até é perigosa) a ouvir falar de violações colectivas na Índia, país onde a mulher é claramente tratada como secundária face ao homem. Mas no Brasil, no passado 22 de Maio, 33 homens violaram uma adolescente de 16 anos no Morro da Barão, na zona Oeste do Rio de Janeiro.

O caso reveste-se de pormenores particulares - alguns surreais. O primeiro: não foi a vítima quem apresentou queixa por violação. Nem tão pouco procurou assistência médica após o crime. Foi só depois de as imagens da violação terem sido publicadas nas redes sociais pelos violadores que se conseguiu identificar a jovem. Segundo pormenor arrepiante: a vítima, que ia encontrar-se com o namorado de madrugada, na favela, disse à policia não se lembrar de nada. Apenas de acordar, no dia seguinte, dopada e nua, numa casa do Morro, cercada por 33 homens armados com metralhadoras e pistolas.

Quase dois meses depois, foram indiciadas (apenas) 7 pessoas. A delegada, Cristiana Bento, explica porquê: "Trabalhamos om provas técnicas, e provámos a participação de sete pessoas, mas não descartamos o depoimento da vítima. Se houver novos factos, outros serão indiciados também". Cinco acusados de violação incorrem numa pena até 15 anos de prisão, e dois em penas de 8 e 6 anos, por divulgação e produção de imagens.

O caso gerou uma enorme vaga de contestação nas ruas e nas redes sociais do Rio de Janeiro. Na altura, a hashtag #EstruproNuncaMais chegou a nº 1 do Twitter brasileiro e a 3º do Twitter mundial. "É um crime que chocou o Brasil e vai fazer história no país, até pela forma hedionda como foi praticado. Esperamos que a pena seja exemplar para que isso não volte a existir", acrescentou a delegada.