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“Nós prometemo-vos a libertação de Fallujah e recuperámo-la”

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AHMAD AL-RUBAYE / AFP / Getty Images

Mais de três semanas após o início da ofensiva das forças governamentais e aliados internacionais, Bagdade declara ter conseguido provocar a queda de um dos mais importantes bastiões do autoproclamado Estado Islâmico. Mas a guerra está longe de estar terminada

Esta sexta-feira a bandeira iraquiana foi hasteada no topo do quartel-general do Governo da cidade de Fallujah. As tropas da Polícia Federal do Iraque proclamaram assim a vitória sobre o centro de Fallujah, nas mãos do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh) há cerca de dois anos.

“Nós prometemos-vos a libertação de Fallujah e recuperámo-la. As nossas forças de segurança controlam a cidade, à exceção de uma pequena parte cuja segurança precisa ainda de ser garantida nas próximas horas”, disse o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, à televisão pública do país. Ainda assim, a batalha em Fallujah está longe de estar ganha, segundo relata a CNN no local.

Apesar dos avanços, a guerra continua. Vários edifícios são agora ruínas e inúmeros corpos jazem no chão, na sequência dos ataques da coligação internacional liderada pelos Estados Unidos (EUA), existindo alguns pontos de conflito dentro da cidade. Ainda assim, as forças de elite de contraterrorismo e outras unidades militares enfrentam uma resistência reduzida por parte do Daesh, cujos combatentes se deslocaram para o lado oeste da cidade, segundo noticia a agência France-Presse (AFP).

As forças governamentais, apoiadas pela coligação internacional liderada pelos EUA, têm sido prudentes nos seus avanços em direção ao centro de Fallujah desde 23 de maio, evitando ao máximo tirar a vida a pessoas inocentes que se encontram retidas na cidade e tentando contornar os explosivos colocados pelos jiadistas no terreno.

MOADH AL-DULAIMI/AFP/Getty Images)

Fallujah enfrenta desastre humanitário

Cerca de 80 mil pessoas saíram da cidade nas últimas quatro semanas, durante as quais o exército iraquiano lançou a ofensiva para expulsar os jiadistas da cidade, segundo números das Nações Unidas. Além destes, 25 mil civis estarão em movimento.

A falta de alimentação, água e medicamentos são alguns dos motivos de preocupação. As péssimas condições de saúde de muitos dos deslocados iraquianos e a possibilidade de surtos de doenças infeciosas como a poliomielite, são alguns dos riscos para os quais a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou, a par de outros. “Os principais problemas são doenças de pele e diarreicas, extremamente comuns e graves entre os deslocados”, explicou o diretor da OMS para a região do Mediterrâneo Oriental, Ala Alwan. As doenças diarreicas, contagiosas, são uma das principais causas de morte entre menores de cinco anos.

“É necessária uma campanha de vacinação em massa, urgentemente”, declarou o responsável daquela agência das Nações Unidas (ONU), fazendo ainda um apelo à “solidariedade internacional” dada “a enorme falta de recursos” que a agência da ONU enfrenta. “Só foram financiados 25% dos 28 milhões de dólares [24,8 milhões de euros] que pedimos.”

Notícia atualizada às 18h20 de 19 de junho de 2016, com os números mais recentes da ONU